A mostra Fronteiras trouxe ao público do Festival do Rio, presente neste sábado (08) no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), um interessante debate sobre o filme Na Sombra do Morro, do diretor australiano Dan Jackson, e sobre as transformações necessárias - além das que já estão em processo - na maior comunidade do Rio de Janeiro, a Rocinha, após o turbilhão que foram as manifestações de 2013.

Na Sombra do Morro é praticamente um mergulho no cotidiano da vida dos moradores da comunidade feito por Dan Jackson, e que deixa a mostra de forma contundente as consequências e as mazelas oriundas do processo da ocupação militar empreendida pelo governo do estado do Rio de Janeiro a partir de 2011, visando preparar a cidade do Rio para receber a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O australiano capta com muita emoção os momentos mais tensos e emocionantes dos relatos dos abusos cometidos por policiais, e nos confronta com o drama vivido pela família do ajudante de pedreiro Amarildo, que foi levado de casa por policiais para a sede da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha e nunca mais foi visto.  

Participaram da discussão o próprio Dan Jackson, acompanhado da sobrinha de Amarildo, Michelle Lacerda, e ainda o advogado João Tancredo, o diretor de teatro Aurélio Mesquita e a atriz Maria Clara dos Santos, a Mulher Maracujá.

Michelle falou sobre o dia em que recebeu a notícia de que o seu tio foi levado pela polícia, e de como esse dia mudou a sua própria vida e a da família de Amarildo. Também relatou que os abusos cometidos por policiais contra a população haviam se intensificado após a chegada das ocupações militares na Rocinha para a Copa. E que mesmo após o desaparecimento do Amarildo muitos abusos ainda são cometidos.

Já o advogado João Tancredo frisou a necessidade da justiça ser repensada na forma em como lida com os abusos sofridos pelos moradores de comunidades carentes. E afirma que essa reflexão é inevitável.

O diretor Dan Jackson comentou que ainda se surpreende com a afirmação da polícia de que o Amarildo foi levado pelos traficantes, se existem até câmeras que comprovam que ele foi levado para dentro da UPP. Mas que vê esperanças na justiça e na força dos moradores. E finalizou dizendo que fazer o filme foi de um aprendizado muito grande. “Foi gratificante fazer uma imersão no cotidiano da maior comunidade do Rio de Janeiro”, disse o diretor.




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