Texto: Dominique Valansi

Fotos:  Davi Campana/R2

 A história de um homem que nasce em 1959 e morre em 2070, contada por pessoas que o conheceram e influenciaram a sua trajetória. Este é o enredo de “Bio”, de Carlos Gerbase, que teve sua sessão de lançamento na noite de 10 de outubro, no CCLSR – Cine Odeon NET Claro. Fazem parte do elenco: Werner Schünemann, Maria Fernanda Cândido, Maitê Proença, Sheron Menezzes, Rosanne Mulholland, Bruno Torres, Marco Ricca, Tainá Müller, entre outros.

Parte da mostra Hors Concours longa ficção da Première Brasil, o filme é feito a partir de 39 relatos de diferentes pessoas que reconstroem, como um mosaico, os momentos decisivos da vida de um personagem principal - cuja imagem jamais é mostrada. Com uma estrutura de falso documentário, o longa propõe um jogo que exige grande potencial de interpretação e de imaginação do público.

Carlos Gerbase já dirigiu e escreveu 18 filmes como Inverno (1983), melhor super-8 no Festival de Gramado; Verdes anos (1984); Deus Ex-Machina (1995), prêmio especial do júri no Festival de Clermont-Ferrant; Tolerância (2000), melhor filme pelo júri popular no Festival de Havana; Sal de prata (2005); 3 efes (2007); e Menos que nada (2012). Durante a sessão de gala, o diretor conversou sobre o filme.

De onde surgiu essa história de uma pessoa de 111 anos?
Surgiu de uma ideia mais narrativa que era de fazer um filme estilo documentário, que eu pudesse filmar em todo um estúdio com baixo orçamento, que as pessoas fossem lá, gravassem 1 dia e fossem embora . Por isso que a gente tem esse elenco com muita gente do Rio e São Paulo. Então, a ideia era fazer um mosaico, era tudo fragmentado. E uma das coisas mais legais do cinema é a montagem. E através dessa montagem de 39 personagens que alguns se conhecem e outros não, tem vários atores e atrizes que eu apresentei uns aos outros aqui. E tentar fazer uma brincadeira com a construção de um ser humano, através das falas. E é isso que o filme é. É bem radical nesse sentido.

Fale da questão do filme ter o formato de um documentário, mas ser ficção.
É um documentário porque me instiga do começo até o final. Eu escrevi as perguntas e as respostas. Mas ainda assim é falso. De qualquer forma, as entrevistas são todas boas, porque os entrevistados todos têm o que dizer.

E você desenvolveu um afeto por esse personagem imaginário?
Sim, quem olhar o filme vai perceber que tem um momento que ele aparece, e nesse momento que ele aparece que as pessoas se emocionam mais.

Por que a escolha de um fio condutor não-linear?

Eu gosto muito, por exemplo, dos filmes do Eduardo Coutinho. Pega o Edifício Master e tem uma fragmentação de discursos construindo o edifício, depois construindo Copacabana e de certo modo construindo o Brasil, né, quer dizer, cada pessoa bota um pouquinho da sua fala, e com isso tem uma noção do todo. O Bio também é isso, também é assim.

O que você acha do Festival do Rio? Está feliz de apresentar o seu filme no Odeon?
Lá, no Rio Grande do Sul, a gente vive reclamando que dinheiro tem que sair do Rio e de São Paulo e ir para a periferia. Mas ao mesmo tempo a gente respeita muito a história do Rio de Janeiro. É o tamborzinho do Brasil. O Rio já fez tantos filmes bons e tantas coisas boas. A gente respeita muito. Gosto muito de ver amigos e colegas da cidade. Murilo Sales veio ver o filme, então, isso é muito bom. A gente está lá no Sul e tem que dialogar com o Brasil. Os nossos filmes são brasileiros, não são gaúchos. Seja paraibano, carioca, amazonense, é Brasil. Temos que aprender a dialogar com o Brasil, por isso estamos aqui.




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