O bate-papo que contou com cerca de 60 espectadores e se iniciou com a diretora Tuca Siqueira falando como o filme é sobre o amor e o presente para poder falar do passado, sem usar flashback.

O ator Aderbal Freire Filho comentou que se identifica muito com o passado do personagem, que é bem próximo ao passado dele e sua vivência dos anos de chumbo. Aderbal acrescentou que sempre acreditou que aqueles anos não iriam voltar jamais, e que no entanto acredita que agora aquele tempo está voltando. O ator disse que os jovens são vistos como a esperança e a segurança do futuro e hoje em dia a juventude está fazendo a represaria.

A mediadora Naja Rebouças comentou que seus filhos não aguentam mais ouvir falar em ditadura militar e perguntou como o ator Rodrigo Rizia via esta questão. Rizia respondeu que, durante a filmagem, os atores sentiam que estavam vivendo situações semelhantes ao que ouviam narradas pelos mais velhos. O ator acrescentou que o grupo fez muitas pesquisas, conversando com filhos de políticos perseguidos e que o afastamento entre pais e filhos hoje acontece sobretudo pela falta de diálogo sobre os acontecimentos da ditadura.

A plateia elogiou muito o longa-metragem e muitos disseram que o filme tem um erotismo delicado e de bom gosto. Naja complementou que as cenas de amor são muito bem colocadas no filme, ainda por cima por se tratar de um casal na terceira idade.

O debate terminou afirmando a arte e a cultura como o melhor caminho para debater o autoritarismo e reforçar a resistência democrática nos tempos difíceis que estamos vivendo no Brasil.

Texto de Carol Matheus




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