Texto: Maria Cabeços

Fotos: Brenda Vianna

O documentário Cartas para um ladrão de livros pautado no Cine Encontro desta terça-feira (10/10) foi mediado pela repórter Paula Scarpin. Os visitantes da mesa foram os diretores, Carlos Juliano Barros e Caio Cavechini, junto com o produtor Gustavo Mello. O filme trata da história de Laéssio Rodrigues de Oliveira, considerado o maior ladrão de livros raros do país.

A ideia que gerou a produção começou quando Carlos, por ser jornalista, na procura de pautas, ouviu um editor comentar sobre a história de Laéssio, porém, a burocracia estatal dificultou sua comunicação, já que o sujeito se encontrava preso. “Em certo momento, pensei que a única alternativa que me restava era entrar em contato diretamente com Laércio e apelar para a boa e velha carta. Eu mandei uma carta e depois de um ou dois meses, eu recebi um telefonema do Laércio que queria me conhecer para ver se poderia confiar em mim e para que pudesse contar sua história”.

Paula Scarpin relembra que as últimas produções, já feitas por eles, destoava desse documentário, pois possuíam uma temática relacionada aos direitos humanos. Cavechini, então, revelou o motivo disso. “A gente sempre se sentiu muito atraído pela curiosidade da história e pela força de um personagem que topava falar, com honestidade, as suas fraquezas e seus crimes”. Acrescentou o desafio do documentário retratar um anti-herói, em vez de um personagem com certa idolatria. “ A gente tem, no Brasil, uma prevalência, quase que absoluta, de biografias que possuem certa admiração pelo retratado”.

Scarpin, então, citou algumas obras ficcionais como o Al Capone, comparação feita por Laéssio. “O maior diferencial é que é um documentário. Por isso, a gente viu que era muito importante que fosse aberto um pouco quanto aos seus próprios dilemas, por que estamos tratando com uma pessoa de carne e osso que tem mudanças de humores”, disse Caio. 

No entanto, Barros esclarece, ”Foi gerada uma polêmica, ao meu ver desnecessária. Não tem qualquer intensão de glamourizar o bandido, ou fazer uma apologia ao crime. Acho que talvez pelo momento que a gente vive - pelo país de hipérboles, de opiniões e de momentos extremados -, algumas das coisas que a gente se propõe foram muito bem captadas. Eu acho que as pessoas precisam ter maturidade para lidar com uma história como essa, mas eu, também, entendo que é legítimo que as entidades, lesadas pela atividade do Laércio, estejam de alguma forma incomodadas. Evidentemente, a gente tava preparado para isso, a gente sabia que não seria fácil. É um tema delicado mesmo, mas, ao mesmo tempo, acho que é esse tipo de desafio que move a gente”. 

Com isso, Gustavo Mello confirmou ao dizer, “Quando vi o primeiro corte, eu falei para os dois ‘caramba, isso não vai agradar ninguém’, porque esse filme precisa de muita maturidade pra enxergar a questão e acho que o Caio e o Carlos trazem isso para retratar o Laéssio e acho que é por isso que o filme é instigante e importante”.



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