O longa metragem de ficção Unicórnio foi pauta do Cine Encontro desta sexta-feira (13/10), mediado pelo professor da UFF Tunico Amancio. O debate contou com a participação do diretor Eduardo Nunes, Mauro Pinheiro, Zé Nogueira, Flávio Zettel, Patrícia Pillar, Zé Carlos Machado e Bárbara Luz. Trata-se de uma adaptação cinematográfica do conto de Hilda Hilst.

Nunes contou sobre a dificuldade na transição dessa obra literária para o cinema. “A obra dela é bem difícil de ser transposta para o cinema. O desafio não era fazer uma adaptação desse conto, mas, é uma impressão minha da leitura. O que me interessava nesse conto era as opiniões da Hilda sobre Deus, a natureza e a morte. É um filme que trabalha muito o sensorial, então, essa transposição do um livro, que é feito de palavras e ideias, é buscar essas sensações e transformá-las em uma experiência sensorial. Então, tem toda a questão do trabalho de imagem e som, buscando, antes de tudo, uma narrativa no sentido não-convencional, mas uma experiencia sensorial semelhante que eu tive quando eu li a obra”. 

Com isso, o ator, Zé Carlos Machado, contou sobre a união de aspectos da produção que formaram um conteúdo lúdico, necessário ser visto pela sociedade atual. “O que me encanta é a coisa mítica, o simbólico. O próprio cenário é vislumbraste, o figurino é de cair o queixo e a geografia é mágica. É muito contemplativo e vivemos em uma sociedade que é preciso parar para observar mais e ouvir. Está tudo muito atropelado”. Patrícia Pillar também refletiu sobre o assunto, “No momento em que estamos prestando tanta atenção no que está fora do ser humano, podemos fazer esse mergulho tão profundo na alma de uma menina e na transformação dessa menina em mulher – no despertar do desejo. São assuntos tão delicados que são, hoje em dia, tratados com tanta superficialidade e vulgaridade. Fico muito orgulhosa de receber, junto a equipe, essa obra. Para transformar a obra da Hilda em imagens, não teria ninguém melhor do que o Eduardo. Ele manteve o set em uma alegria e felicidade, envolvendo a todos nesse bem-querer em relação ao cinema”.

Quanto ao som do filme, Zé Machado elogiou o trabalho de Nogueira. “Acho que o Zé Nogueira capta essa alegria do set de uma maneira muito bela. Acho que essa coisa lúdica em que a palavra talvez não tenha tanto sentido. O silêncio diz muito mais do que a própria palavra em si”.  Zé Nogueira falou sobre suas inspirações e instrumentos utilizados no longa, “Grande parte da música desse filme tocou o duduk, que é um instrumento Armênio milenar, que carrega uma tristeza. É um instrumento que representa o genocídio desse povo. Quando o Eduardo me apresentou o roteiro, e contou a história do que ele queria fazer, eu falei ‘Pronto, encaixou’. Em baixo do som do duduk, eu tentei chegar o mais perto da natureza, porque achava que a música nesse filme tinha a ver com isso. Tive que criar toda uma atmosfera de efeitos sonoros - vento e ruído – para poder me inspirar na música”.

Por fim, na fotografia, Pinheiro revelou seu processo. “A primeira tarefa é descobrir o que o filme quer dizer, ou apenas sugerir e esconder. É um trabalho muito bacana de tentar achar a essência do filme e, depois, vem a parte de tentar achar a forma que traduz isso. É curioso, porque a gente fica procurando o mundo que a gente vai criar. Nesse filme, eu achava que não devia ter nenhum esquema que fosse mais frio em um determinado momento, ou mais quente, mas, que tivesse, realmente, a criação desse universo que é o lugar que eles moram”.


Texto de Maria Cabeços

Foto de Rogério Rezende




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