Por: Mariana Isis

A quarta-feira (07/11) da mostra Première Brasil: Retratos foi marcada pela exibição de Paulo Casé – O arquiteto do encontro, documentário sobre a carreira do recém falecido arquiteto carioca, responsável pelo planejamento das mais variadas construções na cidade (desde o Hotel Marriot, passando pelo Parque Aquático Maria Lenk, o Favela-Bairro da Mangueira e o projeto Rio Cidade em Ipanema e Bangu). 

O longa focaliza como o pensamento de Casé sobre a arquitetura e o urbanismo era orientado no sentido de despertar sensações, sentimentos a partir da matéria arquitetônica e construir espaços que favorecessem os encontros – suponhamos daqui o subtítulo “arquiteto do encontro”. Após a sessão, for a realizado um debate mediado por Luciana Fróes, com a diretora Paula Fiuza; os filhos de Paulo, Augusto (inclusive produtor do documentário) e Hamilton Casé; e Luiz Fernando Janot, arquiteto e amigo íntimo. Fernanda Montenegro estava presente para prestigiar o filme.

A jornalista d’O Globo Luciana Fróes, que convivera muito com Casé, elogiou de cara o material de pesquisa utilizado. Augusto ressaltou que o filme fora feito junto com o personagem e que Casé ajudou a nortear o documentário, principalmente pelo excesso de material de pesquisa arrecadado pela equipe sobre a longa vida do arquiteto. A mediadora comentou que ficou impressionada com a abrangência das construções feitas por Casé. 

Janot considerou “um dos melhores que documenta a história de arquitetos” e pontuou dois aspectos relevantes sobre a realização: primeiro, que fora feito ao lado do personagem enquanto ele estava vivo e segundo, a naturalidade dos fluxos temporais sobre as diferentes eras de Casé. “Eu queria sublinhar que “arquiteto do encontro” foi um golaço. Eu acho que conseguiu sintetizar de uma forma brilhante o caráter do Casé”, completou Hamilton.

A diretora Paula Fiuza acrescentou que mesmo tendo sido a última a entrar para a equipe realizadora, acabou se envolvendo profundamente com o personagem “Foi a maior surpresa como eu me apropriei desse projeto como se fosse uma ideia minha inicial, porque eu me apaixonei pelo Paulo Casé. Ele é uma figura muito incrível”. Ela considerou mesmo o arquiteto como um pensador e um filósofo. “[O filme] sai desse universo arquitetônico pra falar com qualquer espectador com essa mensagem que esse personagem maravilhoso tem”, disse ainda Augusto.

Uma membra da plateia elogiou os planos com uso do drone. Inclusive, não só compondo a mesa, mas no público, vários amigos de Paulo Casé. De fato, como Luciana Fróes marcou no início da conversa, parecia que estavam ali todos aqueles que faziam parte da coleção de fotos que o arquiteto chamava de corredor do afeto.




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