Por Eliana Nzualo (Talent Press Rio)

O documentário Cinema Novo, de Eryk Rocha, é uma justaposição de várias obras que compuseram esse movimento cinematográfico do Brasil nos anos 60.

Em preto e branco, com alguns cortes a cores, o documentário é uma ode ao movimento que marcou uma época de fortes mudanças.

No primeiro terço do filme, vemos várias personagens, de filmes diversos, em fuga. Correndo de um lado e de outro, como se estivessem com pressa de chegar a algum lado. As praias. Os sertões. O samba. As cidades e o interior. Tudo em movimento. Para onde, não se sabe.

Foi assim também a construção do Cinema Novo, este estilo cinematográfico que se nasceu sozinho e sozinho se criou.

O Cinema Novo foi – e ainda é – esse correr, lutar, galopar em direção a alguma coisa. O estilo marca um tempo de rutura: violência, liberdade, justiça. Entre o histórico e o legendário, o Cinema Novo procurou devolver ao Brasil a sua autenticidade.

Pelas lentes de ontem e de hoje, observamos as complexidades das relações humanas entre os limites das suas desigualdades: de classe, de raça, de região e de oportunidades.

Pelo documentário, vemos os bastidores das criações brasileiras da época.

Mais tarde, passamos a ouvir as vozes de quem viveu o Tempo, através de relatos de realizadores como Walter Lima Jr, Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha, pai do realizador, Eryk.

Cinema Novo e Cinema Novo num diálogo constante, com a pressa de quem não pode perder o que já passou.

O tempo encontra-nos.




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