Por Fernando Flack
Em 17 de setembro de 2011, Wall Street, o coração financeiro do mundo, foi tomado por milhares de manifestantes insatisfeitos com as consequências sociais da crise econômica que começou a se esboçar em 2008. Com uma grande quantidade de jovens estudantes, cidadãos desempregados e recém despejados, a famosa rua do mercado financeiro de Nova York foi ocupada como reflexo das angústias e indignações coletivas de uma parcela significativa da sociedade norte-americana. Não demorou muito para que manifestações similares e com causas diversas se espalhassem pelo país e pelo mundo. Inglaterra, Grécia, Espanha, Portugal, Turquia e Brasil são alguns dos exemplos.

Nesse processo, que ficou conhecido mundialmente como Occupy Wall Street, os cineastas americanos Audrey Ewell, Aaron Aites, Lucian Read e Nina Krstic foram para as ruas para registrar os acontecimentos da ocupação e reuniram todo o material no filme 99% - O filme colaborativo do Occupy Wall Street, que conta também com registros amadores feitos por integrantes da ocupação e por jornalistas independentes. 

De passagem na cidade para apresentar o seu filme no Festival do Rio, os diretores Audrey Ewell e Aaron Aites deram uma rápida entrevista para o site do Festival.

Vocês vêem alguma relação entre o Occupy Wall Street e as manifestações que tomaram conta do Brasil a partir de junho deste ano?

No Brasil, nos parece, as manifestações foram em torno de pontos como educação e saúde. Nos EUA, o Occupy foi uma espécie de insatisfação coletiva. As pessoas estavam perdendo seus empregos e suas casas. Foi essencialmente uma gigante demonstração de insatisfação e frustração. Hoje em dia, pelo menos nos EUA, é bem difícil as pessoas expressarem suas frustrações. Mas também parece que os movimentos representam algo como uma inquietude global, já que eles se espalharam pelo mundo em países como o Brasil e a Grécia, por exemplo.

Qual o ponto de vista de vocês sobre o papel da mídia tradicional e da mídia independente na cobertura do Occupy Wall Street ?

Temos muitas opiniões sobre isso. Nos EUA, as discussões sobre esse tema também surgiram a partir do Occupy. Nos perguntávamos sobre as formas de cobertura midiática tradicionais sobre o movimento e como seria possível fazer isso por nós mesmos. Nosso filme é sobre isso também. Levantamos questões que tem a ver com esse novo momento, como por exemplo, as coberturas por live streaming.

Que desafios vocês tiveram para realizar o filme ?

Tudo foi um grande desafio. Tivemos muitas dificuldades. Precisávamos organizar todas as pessoas envolvidas na construção do filme. A Audrey passou algumas dificuldades nesse processo. O nosso plano inicial era cobrir a ocupação por, pelo menos, um ano, chegando até o primeiro aniversário do movimento. Filmamos por um ano. A pós-produção foi um pouco mais complexa, porque tivemos que reunir muitos vídeos feitos por câmeras comuns, iphones etc. Essa parte deu muito trabalho. Tínhamos uma première em janeiro de 2013 para apresentar o filme, então corremos muito e o finalizamos poucos dias antes.

Os diretores estarão em mais duas sessões de 99% - O filme colaborativo do Occupy Wall Street no Festival do Rio: dia 3, às 16h45 no CCJF; e dia 4, às 18h no Oi Futuro Ipanema. Além disso, o filme ainda passa mais uma vez, no dia 6, às 22h no Estação Botafogo 3.



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