Como parte da Mostra Clássicos e Cults, o Festival do Rio 2018 apresenta quatro obras que foram marcos para o cinema brasileiro, mudando a percepção da indústria mundial acerca do que é produzido no país. Serão exibidos, em cópias restauradas, os filmes "Central do Brasil", de Walter Salles, que completa 20 anos; "Pixote - A lei do mais fraco", de Hector Babenco; e "Rio 40 Graus" e "Rio Zona Norte", em homenagem ao diretor Nelson Pereira dos Santos, falecido este ano.

Em "Central do Brasil", Dora (em interpretação magistral de Fernanda Montenegro) escreve cartas na estação de trem carioca, para pessoas analfabetas. Quando uma de suas clientes é atropelada, seu filho Josué (Vinicius de Oliveira), de nove anos, fica perdido na estação. A contragosto, ela acolhe o garoto o o acompanha até os confins do Nordeste, à procura de seu pai. Conforme viajam país adentro, eles vão criando fortes laços afetivos.

Logo na sua estréia, no Festival de Berlim, o filme ganhou o Urso de Ouro - Melhor Filme, o Urso de Prata - Melhor Atriz e o Prêmio Especial do Júri. E recebeu ainda o BAFTA e o Globo de Ouro, na categoria Filme Estrangeiro, dentre outras dezenas de premiações. No Oscar, "Central do Brasil Recebeu uma indicação de Melhor Filme Estrangeiro e Fernanda Montenegro foi a primeira brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz. O filme será exibido emduas sessões, no dia 3 de novembro às 19 horas na Estação Net Botafogo, e no dia 11, às 19h, no Instituto Moreira Salles.

Outra obra presente na mostra é "Pixote - A lei do mais fraco". O filme foi restaurado este ano dentro do projeto “Memória Hector Babenco”, da HB Filmes, feito para recuperar toda a obra do cineasta, falecido em 2016. O longa, de 1980, conta a história de um menino de 11 anos que foge do reformatório e conhece o mundo do crime do Rio de Janeiro. Seu intérprete, Fernando Ramos da Silva, acaba sendo um triste exemplo do projeto que protagoniza. Trazido de uma favela pelo atuar no longa, ele depois não conseguiu se firmar como ator e anos depois acabou morto por policiais após retornar à vida marginalizada da qual a produção o havia tirado. As sessões serão nos dias: 2 de novembro, às 18h30 no Estação Net Botafogo; dia 3, às 19 horas no Cine Arte UFF; e no dia 6, às 18h10 no Instituto Moreira Salles.

Já longas-metragens de Nelson Pereira Santos entram na programação como singela homenagem a um dos maiores cineastas do país. Um dos precursores do Cinema Novo, ele foi o fundador do curso de graduação em Cinema da Universidade Federal Fluminense e eleito imortal da Academia Brasileira de Letras.

De 1955, "Rio 40 Graus" é reconhecido como inspiração relevante para o Cinema Novo. Com registro de estilo documental e influência do neorrealismo italiano, o primeiro longa do diretor é um rico panorama da Cidade Maravilhosa através do cotidiano de cinco garotos da favela. Em um domingo de sol, os meninos vendem amendoim em Copacabana, circulam pelo Pão de Açúcar e o Maracanã, ao som do sambista Zé Kéti, que faz uma participação no longa. O filme foi censurado pelos militares, que o consideraram uma grande mentira. As exibições serão na sexta-feira, 2 de novembro, às 19h no Cine Arte UFF e também no domingo, no Instituto Moreira Salles, às 15h.

Com Grande Otelo, Jece Valadão, Malu Maia, Paulo Goulard e também Zé Keti, "Rio Zona Norte" conta a história do sambista Espírito da Luz, que tenta vender suas composições e fazer algum sucesso, mas acaba enganado por oportunistas e se vê preso nos esquemas da indústria fonográfica. O longa será exibido no próximo domingo, dia 4, às 19h, no Instituto Moreira Salles. 

Os ingressos para as sessões do Festival já estão disponíveis em nosso site, assim como o restante da programação. O evento tem início na próxima quinta-feira, 01/11, e vai até o dia 11 de novembro. O Festival do Rio é realizado através da lei de Incentivo do Ministério da Cultura, patrocínio da PETROBRAS e demais




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