A noite de estréia do documentário “Yoga arquitetura da paz” de Heitor Dhalia no Festival do Rio foi emocionante tanto para o público como para o diretor pernambucano. As belas imagens de corpos e paisagens e os depoimentos dos gurus e mestres da ioga presentes no documentário envolveram o espectador com profundidade e comoveram as pessoas presentes à sessão.

“Yoga arquitetura da paz” foi inspirado pelo livro do fotógrafo norte-americano Michael O’Neill, que traz imagens de iogues indianos em posições típicas da ioga conhecidas como asanas. Em uma viagem espiritual e documental pela Índia junto a O’Neill, Dhalia refaz alguns dos caminhos feitos pelo fotógrafo durante a sua jornada fotográfica, e realiza um belíssimo documentário.

Após a primeira exibição do documentário no Festival do Rio, Heitor Dhalia falou um pouco sobre a produção do filme e sobre o seu contato com os mestres iogues na índia.

Como se deu o seu contato com o trabalho do Michael O’Neill e de onde veio a inspiração para realizar o filme?

Foi o produtor pernambucano Alcir Lacerda Filho que me apresentou o livro On yoga: the architecture of Peace do Michael O’Neill. Por dez anos o Michael fez dez viagens à Índia e rodou os Estados Unidos inteiro entrevistando gurus da Ioga. Foi o livro do ano quando foi publicado pela editora alemã de livros de arte Taschen. É um trabalho muito lindo e é um dos livros mais importantes já feitos sobre a ioga no mundo. O Alcir me perguntou se eu não teria o interesse em transformar em um documentário. Eu li o livro e fiquei completamente hipnotizado pelas imagens, pelos asanas, pelos gurus, e fiquei com muita vontade de dar voz a aquelas fotografias. Ouvir o que aqueles gurus teriam a falar sobre o tempo de hoje, a vida, o dinheiro ou a morte. E foi daí que surgiu a ideia de fazer esse documentário e de fazer uma jornada espiritual, algo que fosse quase um mantra, um pouco metafísico e reflexivo sobre os nossos tempos, a partir do que esses gurus teriam a dizer.

E como aconteceu esse encontro com o Netflix?

A parceria com o Netflix veio depois do filme pronto. Apresentamos e se apaixonaram. Eles quiseram o filme e vai ser lançado no mundo inteiro. O legal é que muita gente vai poder assistir, porque é muito lindo e importante de ser visto.

E como foi o processo de produção do documentário?

Foi uma jornada incrível porque foi na Índia com todo um mergulho espiritual. É um cenário totalmente diferente do nosso porque a Índia é quase um outro planeta. Além de entrevistar essas pessoas maravilhosas e cheias de luz. Filmamos em lugares em que havia gente sem contatos com os demais, que são fechadas para pessoas. São lugares isolados. Então a feitura do filme foi um processo incrível, bem espiritual e muito interessante.

Você poderia comentar um momento do filme em que uma iogue diz que “O medo é o medo da morte”?

Essa era a minha grande pergunta no filme. Eu quis entender o que a morte significa para essa filosofia e para esses iogues. Essa era a minha questão porque acho que é uma grande questão para todo mundo. A principal questão existencial é essa.

Texto: Fernando Flack



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