Na Indonésia, o golpe militar de 1965 levou um exército paramilitar a ser promovido a um autêntico esquadrão da morte. Em menos de um ano, mais de um milhão de pessoas foram executadas. Diferentemente de velhos nazistas, ditadores argentinos ou nomes como Augusto Pinochet, os homens à frente desse exército nunca foram levados pela história a admitir seus crimes contra a humanidade. Ao contrário, vivem hoje como heróis nacionais.

É desse trágico princípio que parte o documentário O ator de matar, de Joshua Oppenheimer. Nos dias atuais, décadas depois de cometerem seus piores crimes, alguns membros daqueles esquadrões desejam contar orgulhosamente sua própria versão da história. No filme, eles concordam não apenas em narrar seus assassinatos brutais, mas em reencená-los diante das câmeras, inspirados pelos filmes de ação americanos que tanto adoram. O longa será exibido na mostra Limites e Fronteiras do Festival do Rio e tem produção executiva de dois dos maiores nomes do documentário mundial, Werner Herzog e Errol Morris, que também terão seus novos trabalhos exibidos. O ator de matar, que ganhou o prêmio do público no Festival de Berlim, é uma das mais chocantes obras sobre a representação do Mal na sociedade contemporânea. Assista ao trailer:



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