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Nessa sexta-feira (09/11), a Première Brasil: Novos Rumos exibiu o curta Vigia, seguido pelo longa-metragem Inferninho, qual aborda um excêntrico bar de mesmo nome, em que uma série de situações envolvendo os funcionários e suas relações se passam. A sessão foi seguida por um debate mediado por Cezar Migliorin, ao lado do diretor Guto Parente e os atores Samya de Lavor e Demick Lopes.

Cezar Migliorin iniciou a conversa pedindo à equipe que comentasse sobre o processo daquilo que lhe transmitiu uma intensa sensação de liberdade criativa em Inferninho. Guto Parente respondeu que, como cada filme apresenta uma especificidade na qual é possível borbulhar a criação, no caso do longa, ele nasceu em 2013 a partir de um encontro com um grupo de teatro chamado Bagaceira. 

A companhia na época desenvolvia uma peça que o diretor definiu como o embrião para Inferninho, uma vez que ela forneceu não só os atores, mas também alguns personagens do filme: “Acho que por causa desse tempo que a gente teve juntos antes e de uma sintonia que a gente conseguiu ter, a gente conseguiu fazer o filme em 10 dias”.

A plateia, muito participativa e curiosa sobre a realização de Inferninho, perguntou qual era a sensação de sair do Nordeste e trazer um filme para um festival de grande porte e, em seguida, se a equipe considerava se existe uma linguagem propriamente nordestina na produção cinematográfica. Com relação à segunda pergunta, Guto acredita que há características comuns à região que muitos realizadores trazem para seus projetos, mas que interessa-se mais por outros filmes que não aqueles que procuram obrigatoriamente certos tipos ou temas do Nordeste. Completou que estava muito feliz de estar no Festival do Rio, com a repercussão do longa no exterior e da recepção variada do público em cada lugar.

Outro espectador indagou sobre os ensaios e direção de atores, e se a priori a ideia era nunca mostrar o exterior do bar, locação principal do filme. O diretor confirmou a busca por evitar mostrar cenas externas ao local a fim de construir uma espécie de atemporalidade e como a pré-produção fora muito longa, os muitos ensaios realizados favoreceram a construção dessa atmosfera. 

Segundo Demick Lopes, houve um trabalho continuado a partir de qual foi possível experimentar o roteiro ainda em desenvolvimento: “A gente mudou de direção algumas vezes em alguns personagens. Isso é um diferencial: poder experimentar o roteiro ainda em desenvolvimento é um fato novo, pelo menos pra mim.”

Sobre a escolha dos figurinos para os personagens diferentes, Guto respondeu que entendia o bar como um lugar de liberdade em que as pessoas podem ser o que elas desejarem numa fantasia livre, como os clientes do bar vestidos como cosplayers. A atuação que rompe com a estética realista foi elogiada, e o diretor concorda com a procura de novos tipos de registro. Samya de Lavor atribuiu a procura por outras referências à união entre dois grupos muito autorais – o próprio Bagaceira e a equipe realizadora de Inferninho: “A gente [os atores] teve essa liberdade de sugerir e de propor, de repente vir com uma ideia completamente alucinada e dizer: 'Ok, vamos ver como fica', ter esse trânsito mesmo de criação e acredito que funcionou”.

Quando questionado sobre o trabalho da direção de arte e da fotografia, Guto Parente afirmou que a equipe tinha a ideia de um bar escuro, úmido, onírico; a partir daí, os departamentos procuraram levar esses conceitos até o limite, não sendo diferente com a arte e a fotografia do filme: assim, houve a prevalência de planos fechados que fragmentassem o espaço. 

A última pergunta veio de Cezar Migliorin sobre a recorrência de grupos excêntricos e unidos nos trabalhos do diretor. “Eu consigo ver também nos meus trabalhos esse campo de interesse, é onde eu talvez me sinta mais estimulado criativamente”, disse Guto Parente, e finalizou afirmando que buscou fugir de entender o que estava fazendo em Inferninho, num fluxo mais orgânico.




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