“Todas as Razões para Esquecer” é o primeiro longa do diretor carioca Pedro Coutinho e teve em sua segunda exibição na última sexta (13) no Festival do Rio a presença do elenco e do próprio diretor. O filme é estrelado pelo ator Johnny Massaro e pela atriz Bianca Comparato e aborda a questão de um término de relacionamento sob a perspectiva masculina. O personagem Antônio (Johnny) busca saídas como a psicanálise, remédios tarja preta e aplicativos de relacionamento como o Tinder para tentar se libertar das lembranças e marcas de Sofia, interpretada por Bianca.

Durante a première de “Todas as Razões para Esquecer” no Kinoplex São Luiz, os atores Johnny Massaro e Bianca Comparato falaram sobre os seus personagens e sobre como foi trabalhar com o diretor Pedro Coutinho.  


Johnny Massaro

Fale um pouquinho sobre o seu personagem Antonio.

Não consigo tirar da cabeça que o Antonio é uma espécie de alter ego do Pedro. Eu gosto muito de tentar entender a cabeça de quem está propondo o personagem e, no caso do Pedro, era ele mesmo quem propunha, porque ele fez tanto o roteiro quanto a direção. Eu busquei esses paralelos junto dele e acho que há toda uma tentativa de existir no mundo de maneira interessante e digna, o que é difícil sendo homem. A gente está cheio de preconceitos e isso gera tanto mal em relação a tudo. Eu estou falando da questão do masculino mal resolvido, que não se preocupa com a sensibilidade, que não dá vazão a isso, e a gente acaba sendo duro em todos os aspectos. E o Antonio está nessa tentativa de reconciliação com o masculino.

E como foi trabalhar com o Pedro Coutinho?

Ele me chamou para uma conversa e duvidei muito de que eu poderia fazer o personagem por uma questão de idade. Mas ele confiou muito e foi uma troca bem fluida. A gente se encontrava na casa dele e lia o roteiro com todo o elenco. Foi uma conexão não verbal, de olhares e silêncios. Foi realmente muito interessante.


Bianca Comparato

Você pode falar um pouco sobre a sua personagem Sofia?

A Sofia é a namorada do protagonista. Eles têm uma relação intensa que, infelizmente, termina. Eu faço tanta a namorada do personagem do Johnny vivendo o presente, como nas memórias e nas viagens dele. Ele idealiza um pouco ela. Eu brinco que são duas personagens em uma, porque é uma versão idealizada. Sabe quando você só lembra das coisas boas de uma relação e aquela pessoa de repente é perfeita? Eu fiz a Sofia perfeita e a de carne osso. Foi uma personagem super bacana. 

O filme é muito naturalista e se aproxima muito de mim e dos meus amigos hoje em dia. A dificuldade foi nunca perder a tensão dramática, não ficar coloquial demais. Me preocupei em não perder a dramaticidade das cenas, afinal não é um documentário, é uma história. Então esse foi o meu desafio constantemente.

E como foi trabalhar com o Pedro?

Eu amei porque ele é muito talentoso. O Johnny foi quem me botou em contato com ele e fiquei apaixonada. Eu trabalharia novamente com ele e muito feliz. Eu gosto dessa ideia de um cinema feito com um orçamento baixo, roteiro inteligente e indo direto na história.  


Texto: Fernando Flack

Fotos: Rogério Resende




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