Alguma coisa assim foi pauta do Cine Encontro desta sexta-feira (13/10), mediado pela youtuber Luisa Clasen. O debate contou com a participação dos diretores Esmir Filho e Mariana Bastos, dos atores Caroline Abras e André Antunes, e dos produtores Thereza Menezes e Fernando Sapelli.  O longa-metragem é desenvolvido a partir do curta homônimo de 2006, e conta a história dos jovens Caio e Mari. ​

Esmir contou como surgiu a ideia do filme. “Ele era um curta que escrevi para o Festival Cultura Inglesa, chamei Mariana Bastos pra produzir comigo e foi no processo de gravação que conhecemos a Carol e o André. Foi um curta muito especial para a gente, foi um encontro que queríamos falar sobre as descobertas da sexualidade, as descobertas da adolescência. Na verdade, ele representa o nosso encontro, foi muito forte”. Esmir revelou que, depois de sete anos, a ideia do longa surgiu em uma mesa de bar, quando os quatro perceberam que a vida na cidade de São Paulo havia mudado e em como esses personagens seriam nesse período.

“Começamos a escrever para continuar a história e pra filmar em outro lugar, então, tivemos um processo técnico diferente na maneira de fazer. Quando a gente filmou em 2006, a gente filmou em película, na segunda parte, a gente estava filmando numa digital 5D com lentes fotográficas”, disse Mariana. “São linguagens muito diferentes de forma que você entende o que era o passado e o presente. De qualquer maneira, passamos por um processo de como não destoar as gravações. Tentamos aproximar as linguagens de uma forma que parecesse diferente, mas que pudesse conversar com o que a gente precisava”.

Sobre processo de adaptação ao papel, Caroline não obteve problemas. “Foi meu primeiro filme, eu tinha 18 anos e a gente começou a fazer cinema junto e o que era trabalhar profissionalmente em um set. O personagem, eu costumo dizer, que tem a personalidade muito próxima da minha. Isso, para alguns pode ser complexo, mas, para mim foi muito natural, então, eu usei muito das minhas ferramentas. Ela é muito baseada na minha observação de vida e nas pesquisas da temática do filme”. Com isso, em relação à cena de aborto, a atriz revelou que a consulta foi feita com uma médica de uma clínica de verdade na Alemanha, e que, em uma conversa com Esmir, pensaram em encená-la de improviso. “A gente está num país onde o aborto não é legal, então, quando você chega em um lugar onde é legal, não tem nenhum tipo de informação de como funciona e qual era o passo a passo”.

Por fim, Esmir refletiu sobre os contrastes sobre o aborto entre o Brasil e Alemanha. “A gente ficou bem chocado, porque a gente desconhecia os detalhes. O médico tem que esperar três dias para realizar o aborto, o que seria o Estado dizendo ‘não se precipite’, então, a gente ficou super tocado, porque tem um tabu aqui [Brasil]. A gente vê tantas meninas, sem dinheiro, que morrem em clínicas de aborto ou por métodos que são insalubres, e meninas com dinheiro que vão lá e resolvem na hora. O aborto ilegal acaba sendo uma forma de fazer a pessoa nem pensar no que ela está fazendo”. O que, ressaltou Esmir, é uma coisa pela qual a personagem não passa, pois, ao ter a obrigação de esperar por três dias, ela começa a ter dúvidas sobre a decisão. 


Texto de Maria Cabeços




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