Lee Daniels, que ficou conhecido ao dirigir Preciosa – Uma história de esperança, está na cidade a convite do Festival do Rio para apresentar seu mais recente trabalho, O mordomo da Casa Branca, longa que reúne no elenco nomes como Forest Whitaker, Oprah Winfrey e John Cusack. A sessão de gala com presença do diretor acontece hoje, às 21h30, no Roxy 3. Daniels irá conversar com o público após a sessão.

Outro de seus filmes, Obsessão, também está em exibição no Festival.

Na tarde de hoje, ele conversou com o site do Festival do Rio.

Como a história de O mordomo da Casa Branca chegou até você?

A produtora Laura Ziskin [de Uma linda mulher e Homem-Aranha] estava há anos lutando contra um câncer e queria fazer algo importante, deixar um legado [ela faleceu no início das filmagens]. Ela tinha essa história e muitas opções de diretores. Sou muito grato por ela ter me escolhido e confiado em mim. Eu aprendi muito com esse trabalho.

O filme é baseado na vida de Eugene Allen, que faleceu em 2010. Você sentiu algum tipo de responsabilidade ao ficcionalizar uma história real? Como a família dele recebeu o filme?

Eu busquei ser o mais honesto possível em relação à história, mas tive a liberdade de mudar coisas para o filme funcionar melhor dramaturgicamente. A personagem Gloria (Oprah Winfrey), por exemplo, teve um segundo filho e gostava de beber, o que não corresponde à realidade.  O filho de Eugene nos visitou no set de filmagem, depois assistiu ao filme e ficou bem feliz com o resultado, mesmo que sua mãe apareça um pouco mais louquinha.

Você é um dos poucos cineastas afro-americanos atuando no mainstream. Sente alguma espécie de obrigação ou responsabilidade social de discutir o racismo nos seus filmes?

Eu sou um homem em primeiro lugar. Aconteceu de eu ser negro, aconteceu de euser gay. Não vejo como obrigação contar histórias sobre afro-americanos. O racismo não acontece só nos EUA. Acontece no Brasil, na Inglaterra... Está em todos os lugares. Ainda assim o cinema é o melhor veículo para mostrar questões sociais porque as pessoas assistem, se identificam, ficam tocadas.

Oprah disse em uma entrevista que os atores amam trabalhar com você porque você sempre busca a verdade e nunca deixa passar nenhum detalhe que possa soar falso. Ela está certa?

Eu gosto de honestidade, não quero nada falso no meu filme. Sim, ela está certa. Mas Oprah está sempre certa.

Você esperava o sucesso que O mordomo da Casa Branca está fazendo nos EUA?

Todos os estúdios me disseram que ninguém assistiria a O mordomo da Casa Branca. Felizmente estavam errados. Foi o filme mais difícil que eu fiz. A história atravessa muitas décadas e isso custa dinheiro. Mas eu fui teimoso e hoje estamos aqui.

É sua primeira vez no Rio de Janeiro?

Já estive na Amazônia quatro anos atrás e no Rio é a primeira vez. Estou adorando e quero voltar mais vezes.

Por Sara Strapazzolli



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