Em 2013, o Festival do Rio e a Anistia Internacional são parceiros na seleção da mostra Fronteiras, com o foco especial Cinema e Direitos Humanos. A organização ajudou a curadora Vik Birkbeck na escolha de filmes que melhor abordassem questões ligadas ao trabalho da Anistia ao redor do mundo. Confira a seguir uma entrevista com Atila Roque, presidente da Anistia Internacional no Brasil.

O que é a seleção Cinema e Direitos Humanos?

Pela primeira vez, o Festival do Rio e a Anistia Internacional se uniram para selecionar documentários que abordassem temas de direitos humanos, que também são parte da preocupação e do trabalho da Anistia. Nossa intenção é, através dos filmes, despertar a reflexão sobre a centralidade da luta por direitos humanos nos tempos em que vivemos.

Qual o papel do cinema na promoção de uma cultura de respeito aos direitos humanos?

A arte e o cinema são catalizadores de emoções e motivadores da imaginação humana. Instigam o pensamento sobre o mundo em que vivemos, na sua diversidade de expressões culturais e modos de vida. Constituem, portanto, matéria essencial à reflexão sobre o estado dos direitos humanos. O cinema, especialmente, tem uma enorme capacidade de gerar empatia, repulsa ou identificação com as experiências ficcionais ou reais retratadas nos filmes e documentários. Ao criar uma oportunidade para a discussão de temas essenciais, o cinema contribui para o fortalecimento não apenas de uma consciência sobre circunstâncias diversas onde os direitos humanos são violados, mas sobretudo para a ampliação do que chamamos de uma "cultura de direitos", ou seja, uma atitude de solidariedade e compromisso ativo com a defesa dos direitos de todas as pessoas, independente da opção sexual, religião, raça ou etnia, classe social, território ou idade.

O que é a Anistia Internacional?

A Anistia Internacional é um movimento global de cidadãos, com mais de 50 anos de existência, mobilizado em defesa dos direitos humanos. Somos constituídos por cerca de três milhões de apoiadores, homens e mulheres de todas as idades, que se engajam como ativistas, voluntários e doadores, em diferentes partes do mundo, na luta pela defesa de pessoas e comunidades que tem os seus direitos violados nas mais diferentes circunstâncias. Somos independentes e não partidários.

Em 1977 a Anistia recebeu o Prêmio Nobel da Paz e, hoje, é uma das maiores organizações de direitos humanos do mundo. A Anistia tem uma longa história de engajamento na luta por direitos humanos no Brasil e teve um papel fundamental na denúncia das violações de direitos cometidas durante a ditadura estabelecida após o golpe militar de 1964.

Atuamos em temas de segurança pública e justiça, desenvolvimento e direitos humanos, política externa e o papel do Brasil no mundo, direitos sexuais e reprodutivos e educação e direitos humanos. A luta contra a tortura e a violência policial, a defesa dos direitos dos povos indígenas, o racismo e a alta taxa de homicídios de jovens negros, a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e a luta contra remoções forçadas são exemplos de alguns temas de campanhas recentes no Brasil.

Como contribuir com o trabalho da Anistia?

O coração da Anistia Internacional é o engajamento ativo das pessoas nas causas com as quais trabalhamos. As pessoas podem se engajar como ativistas, apoiadores e divulgadores de nossas campanhas, assim como contribuir para o nosso trabalho através de doações financeiras. A legitimidade da Anistia decorre, em grande medida, de nossa independência em relação a recursos governamentais ou privados. São as doações individuais de pessoas comprometidas com as causas de direitos humanos que sustentam o nosso trabalho e garantem a nossa autonomia frente a governos, partidos e interesses privados. Por isso convidamos a todos e todas a visitarem nosso site e "territórios" virtuais, como nossa página no Facebook, e a se tornarem apoiadores de nossas lutas em defesa da vida, da justiça e dos direitos humanos de todas as pessoas, onde quer que estejam sendo violados.

Você pode conferir a seleção da mostra Fronteiras aqui.



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