Temas femininos e feministas, a convivência de gerações e memórias do passado, o duro cotidiano dos manicômios judiciais, a nova estética das periferias. Estes são os temas da Mostra Novos Rumos do Festival do Rio 2016. Olhares contemporâneos sobre temas do presente, com as mais diferentes linguagens de cinema, marcam a seleção de seis longas e quatro curtas.

E ousadias não faltam. Consagrada no teatro e em curadorias de exposições e performances, Bia Lessa estreia seu primeiro filme, dirigido em parceria com Dany Roland. Então Morri acompanha a trajetória de uma personagem, vivida por diferentes pessoas, de diferentes idades, em diferentes regiões do país, com cenas  improvisadas a partir de situações reais. E, aos poucos, a cultura brasileira se torna a protagonista deste roteiro  inusitado. E é também a partir das durezas do cotidiano que se constrói Talvez Deserto, talvez Universe, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes. Só que, neste caso, o roteiro mergulha nos corredores de uma unidade forense de internamento psiquiátrico, em estrutura de regime fechado. E os personagens são pacientes que considerados inimputáveis pela Justiça, que sentem o tempo passar, lentamente.

Na trilha de traduzir experiências teatrais para o cinema, Jura Capela faz uma adaptação para a telona da última peça de Nelson Rodrigues, A Serpente, com um superelenco: Matheus Nachtergaele, Lucelia Santos, Silvio Restiffe, Cellia Nascimento. O enredo trata da relação complicada entre duas irmãs, num compasso psicológico que caminha para a tragédia. As relações femininas e feministas também permeiam a viagem de três amigas, com visões muito diferentes sobre a vida e o amor, no filme Para Ter Onde Ir, de Jorane Castro. E a visão de uma avó, sobrevivente do genocídio armênio, sobre seu neto, faz pensar nas mudanças intensas na convivência entre gerações, em Xale, de Douglas Soares. Um conflito entre tempos e costumes que se faz presente, sob uma ótica inteiramente distinta, em Deixa na régua, de Emílio Domingues. O filme percorre salões de barbeiro de favelas e subúrbios, para surpreender ali a nova estética da periferia. Ponto de encontro, os salões são espaços de troca de experiências e visões de mundo, ditados por  tesouras, pentes e navalhas.

LONGAS DA MOSTRA NOVOS RUMOS:

XALE
(Shawl)
de Douglas Soares. Com Araci Vanassian, Douglas Soares, Felipe Herzog, Davi de Carvalho, Natássia Vello. Brasil / Armênia, 2016. 71min,DCP.
Neto e avó, descendentes do Genocídio Armênio, vivem juntos em um apartamento decorado por memórias que estão desaparecendo.Este filme será exibido na mesma sessão do filme Janaina Overdrive
Première Brasil: Novos Rumos longa - , LI) - 12 anos

PARA TER ONDE IR
(Somewhere to Go)
de Jorane Castro. Com Lorena Lobato, Keila Gentil, Ane Oliveira. Brasil, 2016. 100min,DCP.
Três mulheres com diferentes visões sobre a vida e o amor seguem juntas em uma única viagem, partindo de um cenário urbano para outro onde a natureza bruta prevalece. Eva, mulher madura e pragmática, convida para a sua jornada a amiga Melina, uma mulher livre e sem compromissos, e Keithylennye, uma jovem ex-dançarina de tecnobrega. No caminho, os acontecimentos vividos separadamente pelas três revelam as incertezas e os diferentes sentidos daquela viagem para cada uma delas.
Première Brasil: Novos Rumos longa - , LI) - 12 anos

TALVEZ DESERTO TALVEZ UNIVERSO
(Maybe Desert Perhaps Universe)
de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes. Com . Brasil, 2015. 99min,DCP.
A Unidade de Internamento de Psiquiatria Forense é uma estrutura de regime fechado, de segurança média, com vertente reabilitadora. Presta acompanhamento psiquiátrico, psicológico, médico, terapêutico e social. Os homens que a habitam foram considerados inimputáveis pelo tribunal. Sentem o tempo passar, lento. É neste tempo individual que o filme se instala.
Première Brasil: Novos Rumos longa - , VO) - 16 anos

A SERPENTE
(The Serpent)
de Jura Capela. Com Matheus Nachtergaele, Lucelia Santos, Silvio Restiffe, Cellia Nascimento. Brasil, 2016. 73min,DCP.
Duas irmãs vivem na mesma casa com seus respectivos maridos, em quartos separados por uma única parede. Uma das irmãs, Lígia, permanece virgem. Insatisfeita, ela quer desfazer o casamento e pensa em se matar. Para impedir o suicídio da irmã, Guida lhe oferece o próprio marido, Paulo, por uma noite. Adaptação da última peça escrita por Nelson Rodrigues, em 1978. Este filme será exibido na mesma sessão do filme Love SnapsPremière Brasil: Novos Rumos longa - , LI) - 14 anos

ENTÃO MORRI
(Then I Died)
de Bia Lessa e Dany Roland. Com . Brasil, 2016. 85min,DCP.
A vida de uma mulher, desde seu nascimento até sua morte. O personagem foi vivido por diferentes pessoas, de diferentes idades, em diferentes regiões do país, a partir de registros da vida, dos acontecimentos que são comuns a todos os humanos. O mistério do nascimento, as celebrações de nossa cultura, o crescimento e degeneração do corpo, a morte e as questões que envolvem herança de conhecimento. Este filme será exibido na mesma sessão do filme Sem Título # 3 : E para que Poetas em Tempo de Pobreza?
Première Brasil: Novos Rumos longa - , LI) - Livre

DEIXA NA RÉGUA
(Fix Up, Look Sharp)
de Emílio Domingos. Com . Brasil, 2016. 75min,DCP.
Os salões de barbeiro das favelas e dos subúrbios são os lugares onde a nova estética da periferia nasce e se expande. Ponto de encontro dos jovens, os "barbeiros" se tornaram espaços de troca dessa juventude. Este documentário entra nesse universo e, entre cortes, giletes e tesouradas, mostra o que se passa na cabeça dos barbeiros e de seus clientes. Este filme será exibido na sessão do filme Não me prometa nada
Première Brasil: Novos Rumos longa - ) - 14 anos

CURTAS DA MOSTRA NOVOS RUMOS

NÃO ME PROMETA NADA
(Don’t Promise me Anything)
de Eva Randolph. Com Vivian Yan, Pedro Li, Ana Fu, Lin Mohsi, Fabiana Pan. Brasil, 2016. 21min,DCP.
Um casal de primos chineses se apaixona secretamente. Tudo muda quando Ayon ganha uma passagem para a China. As ruas da Tijuca se transformam para o Ano Novo Chinês, enquanto o Rio se prepara para as Olimpíadas. Este filme será exibido junto com o filme Deixa Na Régua
Première Brasil: Novos Rumos curta - , LP) - Livre

JANAINA OVERDRIVE
(Janaina Overdrive)
de Mozart Freire. Com Layla Kayã Sah, Euzébio Zloccowick, Jéssica Texeira, Graco Alves, Rc Campos.. Brasil, 2016. 19min,DCP.
Uma transciborgue busca sua sobrevivência longe do controle biotecnopolítico da corporação.Este filme será exibido junto com o filme Xale
Première Brasil: Novos Rumos curta - ) - 18 anos

LOVE SNAPS
(Love Snaps)
de Daniel Ribeiro, Rafael Lessa. Com Rafael Lessa, Yuri Siqueira, Caio Horowicz, Luciana Esposito, Gilda Nomacce. Brasil, 2016. 13min,DCP.
Rafael não acha que o excesso de vídeos que publica, expondo seu namorado no Snapchat, seja um problema, até que passa dos limites ao postar um vídeo íntimo. Rafael precisa, então, escolher entre seu vício em redes sociais e salvar seu relacionamento. O filme foi todo captado através do Snapchat.Este filme será exibido junto com o filme A Serpente
Première Brasil: Novos Rumos curta - , LI) - 16 anos

SEM TÍTULO # 3 : E PARA QUE POETAS EM TEMPO DE POBREZA?
(And What are Poets for in a Time of Poverty?)

de Carlos Adriano. Com . Brasil, 2016. 14min,DCP.
Algumas considerações (im)prováveis e (im)ponderáveis sobre a (im)pertinência e o (não)lugar da poesia em nossos tempos. Um ensaio poético? Um manifesto poético? Uma (in)apropriação poética? Da série "Apontamentos para uma AutoCineBiografia (em Regresso)". Este filme será exibido na sessão do filme Então Morri
Première Brasil: Novos Rumos curta - , LP) – Livre




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