Publicado em 19/12/2021


Iniciando a última tarde de debates da Première Brasil neste sábado, 18/12, o jornalista Luiz Carlos Merten recebeu no palco do Estação NET Botafogo o time do longa-metragem Mundo novo, de Alvaro Campos. Participaram da conversa, além do diretor, as atrizes Tati Villela e Leandra Miranda, os atores Nino Batista, Kadu Garcia e Paulo Giannini, a diretora de fotografia Rita Albano, o produtor Diogo Dahl, o montador Rodrigo Sellos e Piu, diretor de produção.

Alvaro explica que o projeto foi idealizado como uma peça de teatro online e ele só foi entender que realmente tinha um filme nas mãos após o montador fechar o primeiro corte. Até então ele acreditava ter feito um trailer ou um estudo cinematográfico. Mundo novo foi gravado em apenas seis dias e Alvaro diz que faz questão de ter toda a equipe ali ao seu lado porque o longa-metragem é igualmente deles.

O roteiro é creditado ao cineasta e ao elenco, e o diretor destaca que todos vêm do teatro, a maioria inclusive do grupo Nós do Morro, baseado no Vidigal - locação da trama. Ele lembra que foram realizados inúmeros ensaios online ao longo de 20 dias e nunca foi sua intenção prendê-los ao texto. A partir do entendimento do personagem, cada um tinha plena liberdade para mexer nos diálogos. Sendo ele um homem branco, uma questão delicada eram as falas das mulheres negras, e nisso as atrizes contribuíram bastante, até escrevendo sem a sua participação uma cena de conversa franca que ele considera capital na produção.

A atriz Leandra Miranda relata a dificuldade de falar da posição da mulher preta numa relação inter-racial e a preocupação com o que as pessoas pretas entenderiam ao ver Mundo novo. Tati, que vive a protagonista, observa que seria necessário muito mais tempo para dar conta de toda a subjetividade de sua personagem, que não é tradicionalmente vista no cinema ou na rua. "Acho que o grande lance desse filme é cada um se perguntar coisas, de como foi afetado, em que sentido", ela avalia.

Rita Albano, diretora de fotografia em seu primeiro longa-metragem ficcional, ressalta o enorme desafio de ter pouco tempo e pouca verba, justificando a adoção do preto e branco pela estética, mas principalmente pela facilidade. Alvaro cita Akira Kurosawa como grande influência na idealização dos planos e destaca que o filme - o primeiro de muitos dos envolvidos - foi nascendo em conjunto com o tempo, o talento e a vontade de fazer e criar soluções.

Texto: Taiani Mendes
Foto: Frederico Arruda

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