O Museu do amanhã abrigou, na noite de quinta (19), a cerimônia de premiação do Festival do Rio 2019. O espaço de arquitetura arrojada não poderia ser mais adequado para uma solenidade que, ao distribuir trinta estatuetas do cobiçado Troféu Redentor, deixou bela mensagem de fé no futuro, força e resiliência. Os premiados nas mostras Première Brasil, Felix e Geração (veja a lista abaixo) apontam para rumos promissores do audiovisual brasileiro, um setor que movimenta a cultura e a economia, cada vez mais com a cara de seu povo e solidário a suas causas mais importantes.

Foram muitos os discursos de agradecimento carregados de mensagens positivas. Regina Casé (melhor atriz por Três verões) subiu ao palco ao lado do filho Roque, contou que vem se redescobrindo como atriz e celebrou Aracy de Almeida – a grande cantora que, por descuido da sociedade, entrou para a história como uma jurada mal-humorada de programa de TV. Gil Baroni foi buscar dois troféus como diretor de Alice Júnior (melhor longa brasileiro no prêmio Felix, para a produção LGBTQIA+, e melhor filme segundo o júri popular da mostra Geração) e um terceiro, na qualidade de produtor do curta Bicha-bomba, de Renan de Cillo. Teve muito mais.

Os diretores Emílio Domingues, acompanhado pela numerosa equipe de Favela é moda (menção honrosa do Júri Oficial e eleito o melhor documentário de longa-metragem segundo o voto popular), e Jefferson De (M8 – Quando a morte socorre a vida, menção honrosa e melhor longa de ficção segundo o voto popular) reafirmaram a necessidade de que o cinema, cada vez mais, olhe para o Brasil de verdade, habitado por negros, moradores da periferia e outros personagens que costumam ser marginalizados na narrativa oficial.  

Antes do desfile dos premiados, os apresentadores da noite, Fábio Porchat e Evelyn Castro, estrelas do grupo de humor Porta dos Fundos, garantiram o bem-vindo alívio cômico. Passada a tensão que ameaçou a 21ª do Festival do Rio – superada por uma enxurrada de solidariedade da classe, da plateia, da indústria –, era chegada a hora de relaxar. Um vídeo com os melhores momentos do Festival deste ano foi seguido pelo convite para que as diretoras Ilda Santiago e Walkiria Barbosa subissem ao palco. Elas foram recebidas por um “abraçaço” dos apresentadores e logo convocaram os demais diretores: Marcos Didonet, Nelson Krumholz e Vilma Lustosa. O abraço coletivo ganhou reforços.




Walkiria, a primeira a falar, agradeceu a acolhida do Museu do Amanhã, “que também está resistindo”, à equipe de mais de 500 voluntários e às empresas que apoiaram o Festival este ano. “O mais importante dos desafios de 2019 foi concluir que somos importantes para o país, através da cultura e do audiovisual a gente transforma a sociedade. Nós vamos viver a grande era de ouro da história do audiovisual no Brasil”, afirmou. Ilda Santiago, em seguida, lembrou de gente querida que partiu este ano, como Carlos Brandão, Domingos Oliveira, Fabio Barreto, Nelson Hoineff, Ruth de Souza. Além de celebrar os patrocinadores, ela também deixou seu “muito obrigada” para Marcus Faustini, que dirigiu a cerimônia, e Junior Perim, que abriu as portas do Circo Crescer e Viver para a realização de uma festa para o Festival do Rio.


Museu do Amanhã: portas abertas para o Festiva do Rio


Entre piadas da dupla de apresentadores, aplausos e risadas, a noite de premiação transcorreu em merecido clima festivo. No palco e na plateia, o sentimento geral foi de que o Festival do Rio e o audiovisual brasileiro despedem-se de 2019 mais fortes e amadurecidos. "Amanhã já estamos começando a preparar a próxima edição", avisou Ilda Santiago. Até 2020!


FESTIVAL DO RIO 2019

VENCEDORES PREMIÈRE BRASIL, PRÊMIO FELIX e MOSTRA GERAÇÃO

Première Brasil JÚRI OFICIAL, presidido por Mariza Leão, produtora, e composto por Bárbara Paz, atriz e diretora, Christine Bardsley, curadora e produtora do British Council, José Eduardo Belmonte, diretor, Susanna Lira, diretora e produtora, e Waldir Xavier, editor de som e montador

MELHOR LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO -  Fim de Festa, de Hilton Lacerda

MELHOR LONGA-METRAGEM DE DOC -  Ressaca, de Vincent Rimbaux e Patrizia Landi

MELHOR CURTA-METRAGEM - A Mentira, de Klaus Diehl e Rafael Spínola

MELHOR DIREÇÃO DE FICÇÃO -  Maya Da-Rin, por A Febre

MELHOR DIREÇÃO DE DOC - Vincent Rimbaux e Patrizia Landi, por Ressaca

MELHOR ATRIZ – Regina Casé, por Três Verões

MELHOR ATOR – Fabricio Boliveira, por Breve Miragem de Sol

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – Gabriela Carneiro da Cunha, por Anna

MELHOR ATOR COADJUVANTE - Augusto Madeira, por Acqua Movie

MELHOR FOTOGRAFIA – Miguel Vassy, por Breve Miragem de Sol

MELHOR MONTAGEM -  Renato Vallone, por Breve Miragem de Sol

MELHOR ROTEIRO -  Hilton Lacerda, por Fim de Festa

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI – para o Som do filme A Febre - Felippe Schultz Mussel e Breno Furtado (Som direto), Felippe Schultz Mussel e Romain Ozanne, (Edição de som) e Emmanuel Croset (Mixagem)

Menção honrosa do Júri especial - Favela é Moda, de Emílio Domingos e M8 – Quando a Morte Socorre a Vida, de Jeferson De

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NOVOS RUMOS - Júri composto por Flávia Castro, diretora e roteirista, João Pedro Zappa, ator e Vicente Saldanha, diretor de arte.

MELHOR FILME -  Sete Anos em Maio, de Affonso Uchôa

Menção honrosa (longa) - Marcelo Diorio, ator e co-roteirista de Rosa Azul de Novalis

MELHOR CURTA -  Revoada, de Victor Costa Lopes

Menção honrosa (curta) - Bonde, de Asaph Luccas

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI -  Chão, Camila Freitas

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VOTO POPULAR:

MELHOR LONGA FICÇÃO: M8 - Quando a Morte Socorre a Vida, de Jeferson De

MELHOR LONGA DOCUMENTÁRIO:  Favela é moda, de Emílio Domingos

MELHOR CURTA:  Carne, de Camila Kater

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PRÊMIO FELIX

Juri composto por Dannon Lacerda, Galba Gogóia, Luana Dias e Bruno Duarte.

Melhor Longa Ficção:  Retrato de Uma Jovem Em Chamas, de Céline Sciamma

Melhor Longa Doc:  Lemebel, um artista contra a ditadura chilena, de Joanna Reposi Garibaldi

Melhor Longa Brasileiro: Alice Júnior, de Gil Baroni

Prêmio Especial do Júri: Bicha-Bomba, de Renan de Cillo

Menção Honrosa - Camille Cabral, pela atuação em luta dos direitos humanos

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MOSTRA GERAÇÃO

Melhor filme Júri Popular - Alice Júnior, de Gil Baroni (na foto abaixo)





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