Publicado em 19/12/2021


A derradeira sessão com debate da mostra competitiva da Première Brasil no Estação NET Botafogo exibiu o curta Da janela vejo o mundo e o longa Sol na tarde de sábado, 18/12. Após a projeção, o jornalista Luiz Carlos Merten moderou um bate-papo entre os espectadores e as equipes das produções: a diretora Ana Catarina Lugarini e as produtoras Amanda Soprani e Raiane Rodrigues, de Da janela vejo o mundo; e a diretora Lô Politi e os atores Everaldo Pontes e Malu Landim, de Sol.

Diretora estreante, Ana destaca que fez o curta entre amigos e família e o projeto nasceu com o TCC dela e da produtora Raiane, interessadas em investigar a relação de suas avós ultra conectadas com as redes sociais. Com o passar do tempo, no entanto, outros caminhos surgiram e as memórias de Catarina, avó de Ana, ganharam evidência. Da janela vejo o mundo é seu primeiro trabalho como atriz e a locação é sua própria casa.

Lô Politi conta que certa vez leu um livro sobre um pai e uma filha e o recomendou bastante aos amigos, mas acabou descobrindo que a versão que guardava na memória não tinha nada a ver com a trama de fato. Sendo assim, decidiu escrever a história que havia imaginado, mesmo sem referências familiares sobre o assunto. A cineasta revela que sua motivação foi investigar o universo masculino do ponto de vista feminino. "Acho que os homens têm muita dificuldade em lidar com o afeto e isso às vezes cria rupturas que o tempo passa e eles não conseguem consertar mais", ela reflete, lembrando que seu primeiro filme, Jonas, já abordava um pouco o tema.

Sobre o elenco, ela comenta que não conhecia Rômulo Braga, que interpreta o protagonista, e o escolheu após vê-lo numa fotografia aleatória; que a idade da menina foi alterada por causa da escalação de Malu; e que uma das grandes surpresas foi ter Everaldo, que em suas palavras é "pura vida", como alguém que deseja a morte. As gravações de Sol ocorreram na Bahia, passando por cinco cidades, após um período de muitos ensaios que contaram com a presença do diretor de fotografia, o que ajudou muito. Segundo ela, o segredo para superar a dificuldade do pouco dinheiro foi conceituar muito para errar pouco. O resultado é um filme sobre a dificuldade da conexão afetiva feito de forma muito afetuosa, nota a realizadora.

Texto: Taiani Mendes
Foto: Frederico Arruda

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