O diretor Claudio Assis voltou ao Festival do Rio com seu novo longa-metragem, “Piedade”, parte da Mostra Hors-Concours da Première Brasil. A histórias passada na década de 1980, em Recife, é inspirada em episódios reais, como a construção do Porto de Suape. que causaram graves mudanças no meio ambiente – a exemplo de ataques de tubarões a banhistas e da poluição das águas.

Na trama, Dona Carminha (Fernanda Montenegro ) é dona do Paraíso do Mar, um restaurante na Praia dos Prazeres, que administra com seu filho Omar (Irandhir Santos). Porém, a petroleira Petrogreen envia o executivo Aurélio (Matheus Nachtergaele) para convencer a comunidade da praia a vender seus terrenos e para isso ele traz à tona segredos de família há muito escondidos. O elenco traz ainda Cauã Reymond (prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Brasília) e Gabriel Leone.

Claudio Assis, o produtor Marcelo Ludwig Maia, além de parte do elenco e equipe foram ao Estação NET apresentar a sessão. O diretor começou sua fala citando o veto de exibição do filme 'A Vida Invisível', de Karim Aïnouz, em um evento de funcionários públicos, fato que definiu como “uma desgraça medonha”. Ele lembrou que depois de seu primeiro curta, “Padre Henrique” (1989), passou oito anos sem filmar porque o então presidente Fernando Collor de Mello tinha fechado a Embrafilme. “Estamos vivendo outra desgraça agora. Só que nós somos maiores ainda que todos eles”.

Fernanda Montenegro também discursou em prol do cinema nacional. “É uma hora difícil. E a gente não entende porque. Não se comete nenhum crime. A quem estamos ofendendo? Qual é o mal que estamos fazendo para este país para termos tantas proibições, tantas agressões, xingamentos, tantas destituições? É uma nova moralidade que condena qualquer visão fora de uma estrutura tão sectária”, afirmou. “Ninguém vai nos tirar das telas, do palco, de um instrumento, de uma dança, de um circo. Ninguém vai deixar de fazer sua poesia, de fazer um livro, ninguém vai deixar de pensar a vida como ela se apresenta a um criador. Somos imorredouros”.

Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio, também falou sobre os desafios atuais da indústria do audiovisual. “2019 é um ano em que a entrega do festival pra cidade é uma vitória e mostra o quanto nós precisamos de eventos como esse, de como são absolutamente essenciais para a construção do que nós queremos. Todo desafio que nós vivemos de realizar o Festival é plenamente recompensado por essa noite e mais uma vez por ter Fernanda Montenegro aqui conosco. É uma honra muito grande”.

Fique de olho! O melhor da produção nacional está no Festival do Rio!

Por: Domi Valansi




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