Sala cheia para ver La Vita In Comune, filme dirigido por Edoardo Winspeare que se passa numa região ao sul da Itália, a Puglia. Região belíssima, e bem menos explorada como rota para turistas. E é numa cidadezinha desse sul italiano que o prefeito decide fazer leituras de grandes clássicos da literatura para os detentos do presídio local, conseguindo atrair a atenção de presos condenados por furto. Assim, a literatura e a leitura mudam a vida dos três personagens centrais do enredo do filme de um modo surpreendente: a trama tem um tom de comédia e, ao mesmo tempo, um lado emotivo, como só italianos à flor da pele conseguem ter.

_ Esta sala do Estação Botafogo Net 1 já recebeu muitos filmes italianos. E, quando fizemos um levantamento de imagens do festival nesses 20 anos, vimos uma foto do Bernardo Bertolucci andando pelo corredor e sentando numa das fileiras mais próximas da tela. Este ano de 2017 mais uma vez homenageamos o cinema italiano com uma seleção de filmes na mostra Foco Itália. E quero agradecer muito o Consulado Italiano, o Instituto Italiano de Cultura, a  Associação de Produtores Italianos  e a Puglia Film Commision, que cuida dos filmes da região de Puglia. Todos são parceiros fiéis, consistentes, que nos ajudam a fazer esta mostra tão especial. E quando se faz uma seleção em foco, temos um momento de compreender quais as tendências, o que está acontecendo no cinema italiano naquele momento. E temos também uma grande conexão entre o cinema italiano e o brasileiro, já que produtores e diretores italianos vêm ao Brasil para conhecer melhor o nosso país e o cinema brasileiro _ disse Ilda Santiago, diretora do Festival do Rio.

Ao seu lado, o roteirista do filme La Vita In Comune, Alessandro Valenti, contou histórias e falou um pouco sobre a trama do filme:

_ Quando escrevi este filme a situação econômica na Italia estava muito difícil e parece similar ao que ocorre com o Brasil hoje. E no sul parecia que estávamos numa bolha de sabão. E ninguém sabia como sair da crise. A amizade e a solidariedade nesses momentos são impressionantes. E eu decidi filmar com atores não profissionais. A maioria era de presidiários. Gente que sonhava entrar para La Camorra, ou alguma organização mafiosa. Todos queriam ter a proteção de alguém da máfia. Foi neste meio que eu escrevi esta história. Os personagens parecem caricatura, no começo, mas eles vão sendo humanizados. Na Italia, nesta região, havia muitas Virgens Marias que choravam, ou que as pessoas diziam ver a Virgem com lágrimas nos olhos. Agora, com a crise passada, elas choram menos. E isto foi possível por esta solidariedade inesperada e forte entre os personagens desta história. E tudo feito com uma produção muito barata e com atores não-profissionais. Nosso filme, como os seus personagens, não sonham com grandes revoluções para mudar o mundo, eles sonham com aquelas pequenas mudanças no cotidiano, que mudam a vida inteira _ comentou o roteirista Alessandro Valenti.

Saiba mais sobre os horários de exibição do filme:

La Vita In Comune, de Eduardo Winspeare. Itália. Ficção, 110min.

Em Disperata, uma pequena cidade no sul da Itália, o melancólico Filippo Pisanelli se sente terrivelmente incompetente em seu papel de prefeito. Somente seu amor pela poesia e sua paixão pelas leituras que faz aos detentos da região dão algum alívio a seu estado de depressão. Na prisão, ele conhece Pati, um ladrão de galinha também nascido em Disparata. O ladrãozinho e seu irmão sonhavam em se tornar os chefes da máfia de Capo di Leuca, mas o encontro com a literatura muda tudo, e uma amizade incomum surge entre os três, potencializando escolhas corajosas. Festival de Veneza 2017. 

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/la-vita-in-comune




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