O segundo filme debatido neste domingo (28) na Sede do Festival foi Angústia, de Chico Teixeira, que narra o dia a dia de Serginho (Matheus Fagundes), adolescente que precisa lidar com um universo de escassez de recursos financeiros e emocionais, intensificado pelo abandono do pai.

O crítico Rodrigo Fonseca, mediador da discussão, definiu o diretor como “um cronista das falências familiares brasileiras”, que se preocupa em estabelecer uma conexão entre danos familiares e colapsos sociais. Teixeira lembrou que iniciou sua carreira como documentarista e afirmou que seu cinema de ficção se aproxima do universo documental. “A ficção documenta uma verdade emocional criada a partir de uma história ficcional”, colocou.

As produtoras Paula Cosenza e Lili Bandeira abordaram as dificuldades de captação e elogiaram a coprodução com o Chile, que se deu através do realizador e produtor Andrés Wood, diretor de títulos como Machuca e Violeta foi para o céu, este último também em parceria com o Brasil. “Montar o quebra-cabeça para financiar um filme é difícil”, ponderou Cosenza.

A atriz chilena Francisca Gavilán, protagonista de Violeta foi para o ceú, se disse privilegiada por conta do convite para atuar em Ausência. “Chico é pura intuição”, declarou, analisando o trabalho do cineasta.

Protagonista do filme, o jovem ator Matheus Fagundes enalteceu a sensibilidade do diretor ao tratar de uma temática delicada e expressou sua alegria por ter participado da produção: “Eu tive a oportunidade única de trabalhar com pessoas que são referências no cinema brasileiro”, afirmou. Tanto Fagundes quanto os outros membros do elenco mais jovem presentes, os atores Thiago de Matos e Andréia Mayumi, ressaltaram a importância do trabalho da preparadora de elencos Fátima Toledo. “Foi um processo muito intenso”, revelou Mayumi.

Sobre a montagem, Vânia Debs destacou a importância da intimidade construída entre ela e Teixeira – Ausência é o terceiro longa dessa parceria – para que uma afinação entre as ideias do diretor e sua visão crítica de montadora pudesse ser alcançada. Debs elogiou ainda a direção de atores do filme, e disse ter tido como intenção potencializar as qualidades do trabalho dos atores no corte final.

Neste ponto, o realizador aplaudiu o comprometimento do elenco, em especial do ator Irandhir Santos (O som ao redor, Tatuagem), que segundo ele interpreta os papéis que assume com delicadeza e honestidade. “O trabalho dos atores é lento, emocional, existencial. Eu me sinto muito em casa com eles”, arrematou.

Texto: Maria Caú

Fotos: Luiza Andrade




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