A tarde deste sábado, 8 de outubro, foi animada no Cine Encontro, com debate em torno do longa Vermelho russo, de Charly Braun. O filme, que mescla ficção e ingredientes documentais, conta a história de Marta (Martha Nowill) e Manu (Maria Manoella), duas atrizes brasileiras que decidem encarar o inverno russo para participar de um curso de teatro. O mediador, o crítico de cinema Daniel Schenker, deu início à conversa ressaltando que a obra borra as cada vez mais tênues fronteiras entre ficção e documentário e entre personagem e ator.

A esse respeito, falou a atriz e roteirista Martha Nowill, explicando que a ideia do longa nasceu da viagem real das duas protagonistas para a realização de um curso de teatro na Rússia em 2009. Manoella revelou que se tratou de uma empreitada bastante cansativa, com aulas de interpretação, voz e corpo. A atriz portuguesa Soraia Chaves, que conheceu as colegas de elenco na ocasião, sintetizou o método empregado: “O especialista em teatro russo vai nos dirigindo e, ao mesmo tempo, nos massacrando. É uma experiência muito intensa”, declarou. Nowill completou: “A verdade é que é muito frustrante. Você vai chegando quase ao ponto de desistir, mas uma hora enxerga a luz no fim do túnel”.

O diretor e as atrizes apontaram que o roteiro foi sendo desconstruído e retrabalhado ao longo das filmagens, e que havia grande espaço para o improviso. Braun expressou ainda o desejo de compor o elenco com nomes de diferentes nacionalidades e origens, ressaltando a importância do trabalho de Chaves e dos atores argentinos Flor Sanchez Elia e Esteban Feune de Colombi, também presentes na sessão.

Os outros membros da equipe presentes, entre eles o diretor de produção Bruno Alfano, a tradutora Alina Dzhamgaryan e a produtora Eliane Ferreira, falaram sobre as filmagens em solo russo. Ferreira explicou que a “coprodução afetiva” com a Rússia representou uma grande aventura, por conta do baixo orçamento do filme, enquanto Alfano destacou a importância da adoção da ordem cronológica quando das gravações.

Por fim, Martha Nowill sintetizou a proposta da narrativa de mesclar ficção e documentário: “Essa fronteira entre realidade e ficção quase não existe mais, e para as novas gerações isso é ainda mais natural”, argumentou a atriz.

Texto: Maria Caú

Fotos: Jonathan Menezes




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