Buenos Aires, 1977. Francisco Sanctis, um funcionário do governo ditatorial da Argentina, leva uma vida tranquila em seu posto administrativo até que uma antiga colega de faculdade ressurge, pedindo que ele libere a publicação de um poema de sua autoria. No entanto, o poema era apenas um pretexto para que a mulher entregasse perigosas informações a Francisco que o levam à noite mais longa de sua vida. Um dos diretores de A Longa Noite de Francisco de Sanctis, Francisco Márquez, conversou com a plateia na estreia do filme no Festival do Rio 2016.

O enredo do filme, dirigido por Andrea Testa e Francisco Marquez e baseado no romance homônimo de Humberto Constantini, se passa durante o periodo da ditadura militar argentina e foi selecionado para a mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes 2016 e para o BAFICI 2016 (Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente). Agora, o filme faz parte da programação especial de Cinema e Direitos Humanos do Festival do Rio 2016. E tem sessões na segunda, dia 10, no Estação NET Botafogo 1 (21h45m); na terça, dia 11, no Estação NET Ipanema 1 (17h50m); na quarta, dia 12, no Reserva Cultural Niterói 4 (17h30m) e na quinta, dia 13 no Roxy 3 (16h).

"Nós não vivemos a ditadura militar, mas fizemos um filme que foi visto por militantes políticos daquela época e que reviveram o clima de perseguição que havia na Argentina, no Brasil e em muitos países da América Latina. A câmera acompanha muito de perto o protagonista, para restringir o que aparece na tela e ampliar o "fora de campo", aquilo que está ao redor da câmera e não é mostrado. Isto foi feito de propósito para ativar a imaginação da plateia, para aumentar a sensação de asfixia, que é o que se vivia naquele tempo. Até a cozinha da casa do protagonista foi reduzida, deixando o cenário muito apertado, para que a gente produzisse esta sensação. Assim, tudo vira paranoia, medo, perseguição, e os menores detalhes são importantes. Sanctis vive em estado permanente de alerta", disse o diretor.

Talvez a trilha sonora serve como ambiente para o clima de perseguição. Os passos na rua, as falas ao lado, as conversas em voz baixa ao telefone, tudo amplia o desespero da via crucis de Sanctis.

"Fizemos uma trilha sonora em que até os passos na rua são motivos de alerta. O perigo mora bem perto e a noite esconde seus personagens na sombra. São desconhecidos que estão à esgueira e que podem atacar a qualquer momento. E o protagonista, quando pede ajuda, percebe que os demais personagens sofrem da mesma paranoia, são espelhos desse clima de terror que uma ditadura instala numa sociedade", avalia o diretor.

Os personagens são de classe média, gente que não tem amigos poderosos entre os militares e que por isto mesmo vive sob constante ameaça. A família de Sanctis, que inclui mulher e dois filhos. dá uma dimensão cotidiana da repressão, nos sustos caseiros, nos sobressaltos do ônibus que leva as crianças para a escola, na decisão de tomar um taxi à noite ou de se comunicar com ajuda de um orelhão numa rua deserta.

"Brasil, Argentina, e tantos países da América Latina têm um passado de ditaduras violentas. Na Argentina foram 30 mil desaparecidos. Mas os países do continente ainda não acertaram as contas com este passado, ainda não fizeram justiça para os que foram torturados. De modo que este passado ainda paira como uma sombra, como um pesadelo que ameaça o presente. Esta longa noite da América Latina ainda não é página virada do passado", comenta Márquez.

A Longa Noite de Francisco de Sanctis faz parte da programação que une cinema e direitos humanos. A Anistia Internacional e o Festival do Rio realizam pela terceira vez uma programação conjunta de filmes com temáticas relacionadas aos direitos humanos. Este ano, 28 títulos integram a mostra Cinema e Direitos Humanos oferecendo uma ampla diversidade de temas como direitos das mulheres, das pessoas refugiadas, sistema penitenciário, discriminação e direito à manifestação. Anistia Internacional é um movimento global com mais de 7 milhões de apoiadores comprometidos com a promoção e a proteção dos direitos humanos, em mais de 150 países.

Entre os destaques de 2016, além do longa de ficção argentino, estão os documentários Maya Angelou, e ainda resisto, sobre a vida da escritora, poetisa e ativista afro-americana, e A revolução não será televisionada, sobre a resistência da juventude no Senegal, entre outros.

Saiba mais sobre o filme argentino:

A longa noite de Francisco Sanctis (La larga noche de Francisco Sanctis), direção de Andrea Testa e Francisco Marquez.

Buenos Aires, 1977. Durante a ditadura militar argentina - a mais sanguinária da América Latina -, Francisco Sanctis recebe a informação de que duas pessoas foram condenadas a "desaparecer". Mesmo sem quaisquer laços políticos, este pacato homem de meia idade fica atordoado pela urgência da situação. Naquela noite, ele deverá tomar uma decisão crucial: se colocar ou não em risco para salvar a vida de outras pessoas. Uma adaptação do romance homônimo de Humberto Costantini. Selecionado para a mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes e BAFICI 2016.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/la-larga-noche-de-francisco-sanctis




Voltar