Poucos países podem se orgulhar de ter um artista tão completo e diversificado como Antonio Nóbrega. O artista pernambucano está há mais de 40 anos na estrada desenvolvendo a sua pesquisa sobre a cultura popular e a divulgando através de seus marcantes espetáculos, que circulam pelos principais teatros do país há anos.

Ator, cantor, instrumentista e bailarino, Nóbrega é um verdadeiro showman no palco. Ele nos coloca frente a frente com os elementos peculiares e grandiosos da arte popular brasileira.

Amigo e parceiro do artista pernambucano há mais de 20 anos, o cineasta Walter Carvalho nos traz nessa edição do Festival do Rio o filme Brincante, focado na obra de Antonio e recheado de um mundo lúdico característico do artista.

O diretor conversou com o site do Festival sobre o lançamento do filme, e nos contou um pouco sobre a sua amizade com Antonio Nóbrega.

Como você e o Antonio Nóbrega se conheceram? E como surgiu a ideia de vocês começarem a filmar juntos os espetáculos dele?

Conheci o Antonio há muito tempo. Acho que há uns 20 anos ou mais. Eu já o tinha visto no palco e a gente se encontrou em um trabalho para a televisão, feito pelo Luiz Fernando Carvalho, que era um auto dentro de uma novela. Daí para frente, ficamos muito amigos e começamos a fazer coisas juntos.

Dirigi alguns espetáculos dele para DVD.  Na medida em que esses trabalhos iam avançando, veio o desejo de fazer um filme com a obra dele. De cinco anos para cá a gente intensificou a ideia do filme. Escrevemos o roteiro, trabalhamos as ideias e há uns três anos a [produtora] Gullane assumiu a produção. Eu apresentei o projeto e o Antonio para eles e fizemos essa parceria. Acabou saindo Brincante.

E o que teve de diferente entre a produção de Brincante e as produções que vocês fizeram anteriormente dos shows do Antonio Nóbrega?

Os outros trabalhos eram baseados no espetáculo que ele estava estreando. Tem o Lunário perpétuo, por exemplo, que é muito marcante. Mas tem ainda o Naturalmente e o Nove de fevereiro. Já Brincante não segue o espetáculo. A gente criou uma situação em que ele vai viajando com um circo pelo Brasil, apresentando alguns espetáculos. A gente trabalha com a música, a dança e o teatro, e com os personagens que ele desenvolveu no espetáculo Brincante entre as décadas de 1980 e 1990.

Formamos um grupo que foi ensaiado e preparado para entender e absorver a gramática do universo do Antonio. Acabamos fazendo um filme que perpassa tudo isso. Filmamos no interior da Paraíba e em São Paulo. Diferente dos trabalhos anteriores que fizemos juntos, esse filme não é baseado em um espetáculo, mas na obra dele.

Como você e Antonio estão sempre produzindo e trabalhando, a gente pode esperar por mais parceria de vocês?

Uma parceria como essa não acaba. Pode até existir intervalos, porque ele está fazendo um espetáculo ou eu estou fazendo um outro filme. Mas uma parceria como essa não pode acabar nunca.

Por Fernando Flack



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