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Longa de diretor alemão se inspira em Sonata de Outono

Sem Você Não sou Ninguém, primeiro filme do alemão Florian Eichinger, tem suas primeiras exibições para o público brasileiro nessa quarta-feira (30/09) no Estação Vivo Gávea 2 (15:50 e 22:20). Na cidade para apresentar o longa, o diretor conversou com o site do festival.

 

A sinopse da produção é simples: para comemorar o noivado, Hannes vai com a futura esposa para o chalé da família, onde encontram o pai do noivo, com quem ele não fala há anos, acompanhado de sua namorada. As duas mulheres passam a fazer de tudo para que eles se reconciliem. Mas para o diretor, o filme é um mergulho profundo na alma e trata da complexidade das relações humanas.

“Hollywood mostra nossa alma de uma forma muito rasa, é tudo preto ou branco. Os personagens do meu filme têm diversas personalidades. Não dá pra dizer quem é o bom e quem é o mal,” explica.

Quando perguntado sobre por que optou por falar da relação entre pai e filho, Eichinger confessou que Sem Você Não Sou Ninguém é um tanto autobiográfico: “Vejo pouco meu pai, Hoje em dias as relações estão cada vez mais complicadas. Somos autocentrados, preocupados com nosso sucesso profissional."

O filme foi gravado em dez dias, sobre os quais o diretor declarou terem sido "os dez dias em que menos dormi", e se passa em um único final de semana, dentro daquele chalé. A escassez de personagens, o clima intimista e a abordagem crua das relações humanas fizeram com que a imprensa alemã comparasse a obra ao clássico Sonata de Outono, de Ingmar Berman. Eichinger reconhece ter usado o filme sueco como referência: “Gosto muito do Sonata de Outono e queria fazer um filme que falasse de relações de uma forma semelhante, mas não queria copiá-lo. Acho que consegui fazer diferente.”

Antes de dirigir seu primeiro longa, Eichinger trabalhou como editor de TV, fez curtas-metragens e comerciais. Mas, foi o trabalho como atendente de uma locadora de vídeo que mais o estimulou a fazer filmes. Nas palavras do diretor: “Eu costumava perguntar o que os clientes achavam dos filmes e percebi que nenhum agradava todos ao mesmo tempo. Isso me deu a confiança para fazer um filme que eu gostasse, sem me importar com o que os outros iriam achar”. (VM)