Novo cinema argentino em noite de gala Diretor Darío Mascambroni apresentou o premiado Primeiro Janeiro
Em um local sem luz elétrica e um escasso sinal de telefone celular, pai e filhos farão, pela última vez, a lista de tradições do local, escrita no verso de uma tampa de jogo de xadrez. Coisas como subir uma montanha para ver as estrelas, nadar em um rio, encontrar minhocas na terra para pescar, jogar truco, derrubar uma árvore e acender o fogo. Porém, o olhar da nova geração, vai propor novas regras a estes rituais.
“O filme é uma história de pai e filho – que são pai e filho na vida real. São meu tio e priminho. Conhecendo ele, e tudo que tinha a oferecer em sua imaginação e verborragia, imaginei que poderia sair uma linda história. A casa que filmamos era da minha avó. Tudo em família”, explicou Darío. “A narrativa surgiu do meu interesse de falar sobre tradição, que vem de gerações anteriores”.
O diretor ainda contou que Valentino, o ator mirim, nunca havia estado antes da frente de uma câmera, que foi sua primeira experiência. Assim, a filmagem também se preocupou em não fazer muitas marcações, ter também uma pegada documental, com planos mais longos, para aproveitar o que a criança naturalmente iria trazer para a história.
Na vida real, seus pais, como os personagens do filme, realmente haviam passado por uma crise e quase se divorciaram, outra temática de destaque na trama, que em vários momentos enfatiza a ausência da mãe.
Outro
ponto importante é a conversa constante de pai e filho sobre
personagens da mitologia grega, como Tróia e a Caixa de Pandora.
Segundo o diretor, seu tio é professor e realmente a temática faz
parte das conversas cotidianas dele com seu filho. Na película,
estas reflexões sobre os mitos criam um novo paralelo – da lista
das tradições a serem seguidas (ou quebradas), com os doze
trabalhos de Hércules.
Em constante interação com a água do rio, as árvores, a natureza, o som diferente de não estar em uma cidade, e com a distância da tecnologia, os personagens se focam na interação e na relação, que se renova através de antigas vivências.
O diretor Darío Mascambroni nasceu em Córdoba, Argentina. Em 2010 formou-se em cinema na escola La Metro. Foi diretor de fotografia em filmes como El espacio entre los dos (dirigido por Nadir Medina, 2012) e na série de TV Córdoba Casting. Em 2014, ganhou o prêmio Raymondo Gleyzer pelo projeto Mochila de Plomo, que será filmado ainda este ano.
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