Publicado em 07/08/2025

Paterno e Niki de Saint-Phalle estão entre as principais estreias da semana — Foto: divulgação/Filmes do Estação/Imovision

Duas produções exibidas em edições anteriores do Festival do Rio chegam aos cinemas nesta quinta-feira (7): o drama nacional Paterno, de Marcelo Lordello, e a cinebiografia francesa Niki de Saint-Phalle, dirigida por Céline Sallette.

Selecionado para a competição principal da Première Brasil, a maior vitrine do cinema brasileiro, na edição de 2022 do Festival do Rio, Paterno traz como protagonista Marco Ricca, que já venceu o Troféu Redentor de Melhor Ator Coadjuvante por seu trabalho em Aos Teus Olhos.

Paterno, de Marcelo Lordello — Foto: divulgação/Filmes do Estação
Paterno, de Marcelo Lordello — Foto: divulgação/Filmes do Estação

Ricca interpreta Sérgio (Marco Ricca), um homem que almeja conquistar a direção da empreiteira da família para realizar um antigo desejo que o acompanha há muito tempo. Entretanto, após a morte do pai, o protagonista terá de lidar com aspectos questionáveis deixados pelo falecido patriarca. 

Durante uma sessão seguida de debates no 24º Festival do Rio, Lordello, que também assina o roteiro do filme (em parceria com Fabio Meira), disse que o enredo de Paterno tem inspiração em obras de Dostoiévski, principalmente "Crime e Castigo", em tragédias familiares shakespearianas e no filme italiano As Mãos Sobre a Cidade (1963), de Francesco Rosi.

Equipe do filme Paterno na sessão do filme realizada no cinema Estação NET Gávea durante o 24º Festival do Rio (2022) — Foto: André Horta/Festival do Rio
Equipe do filme Paterno na sessão do filme realizada no cinema Estação NET Gávea durante o 24º Festival do Rio (2022) — Foto: André Horta/Festival do Rio  

Na ocasião, o cineasta também falou sobre o processo de construção da trama e dos temas que explora ao longo da narrativa. "Uma coisa que fui percebendo foi que, de alguma maneira, a narrativa que a gente foi construindo em torno desse personagem e dessa vontade falava muito dessa sociedade, desse patriarcalismo, desse machismo, dessa vontade do lucro, da realização, da afirmação, da competição, que está muito presente na energia do masculino", disse o diretor.

Rodado em 2017, Paterno chega ao circuito comercial de salas com distribuição da Filmes do Estação. Em entrevista ao Metrópoles, o diretor afirmou que os temas que o longa-metragem explora são tão atuais quanto eram quando as filmagens do projeto foram finalizadas. "O medo era que o filme ficasse datado, mas de alguma forma, as pessoas estão dizendo que o filme é contemporâneo. Ele traz assuntos que continuam atuais e pertinentes para as reflexões do público", destacou o realizador.

Niki de Saint-Phalle, de Céline Sallette — Foto: divulgação/Imovision
Niki de Saint-Phalle, de Céline Sallette — Foto: divulgação/Imovision

Niki de Saint-Phalle, de Céline Sallette, foi exibido na mostra Expectativa da edição de 2024 do Festival do Rio e agora chega aos cinemas brasileiros pela Imovision. O longa marca a estreia na direção da atriz francesa conhecida por suas atuações em filmes como Maria Antonieta (2006), L'Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância (2011) e Ferrugem e Osso (2012).

Ambientado na Paris dos anos 1950, o longa-metragem é uma cinebiografia da artista plástica francesa Niki de Saint Phalle (1930–2002). Na trama, a artista retorna à França após viver alguns anos nos Estados Unidos, onde conheceu seu primeiro marido, Harry, e onde nasceu sua primeira filha. Tentando se readaptar à sua terra natal, a jovem artista se vê confrontada com traumas de sua infância até descobrir uma maneira de expressar suas dores: transformando-as na matéria-prima de suas obras artísticas, produzidas de forma espontânea e idiossincrática, uma vez que ela jamais teve formação em artes plásticas.


Niki de Saint-Phalle, de Céline Sallette — Foto: divulgação/Imovision

Charlotte Le Bon, recentemente vista na terceira temporada da série The White Lotus, interpreta a artista pioneira em um mundo que ainda não estava pronto para sua inquietação criativa. Niki teve sua estreia mundial na mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes 2024. 

Em entrevista ao site do festival francês, Céline Sallette revelou que a ideia do filme nasceu ao assistir a uma entrevista da artista de 1965 e notar, ao mesmo tempo, a força visionária de Niki e a impressionante semelhança física com Le Bon. Sem roteiro e com uma equipe enxuta, o longa foi filmado com espontaneidade e liberdade, qualidades que dialogam com o espírito da artista retratada. "Espero que o filme mostre que ir do silêncio até o grito de revolta é um caminho possível. Depois do pesadelo vivido, Niki sobrevive antes de renascer. Ela é um exemplo a ser seguido", afirma a diretora.

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