Na noite do dia 11 de outubro, a Cinemateca do MAM foi palco da estréia carioca do documentário "Desarquivando Alice Gonzaga", de Betse de Paula, parte da Première Brasil: Retratos Longa Documentário.

A produção revisita uma parte importante da história do cinema brasileiro através da vida e da obra da filha de Adhemar Gonzaga (1901-1978), jornalista e cineasta sonhador que, em 1930, fundou a Cinédia, o primeiro estúdio de cinema no Brasil. Nascido no Rio de Janeiro, nos anos 1920 ele fundou o primeiro cineclube do país, o Chaplin Club, para estudar e debater a sétima arte.

Adhemar vai para os Estados Unidos trabalhar em Hollywood e em 1930 inaugura os estúdios da Cinédia, onde produziu mais de 50 filmes de diretores como Humberto Mauro (Ganga Bruta), Gilda de Abreu (O Ébrio), Mário Peixoto (Limite), com destaque para "Alô, Alô Carnaval" (1936), estrelado por Carmen Miranda e sua irmã, Aurora Miranda.

"Foi ele quem pensou pela primeira vez o cinema brasileiro como indústria, investindo dinheiro da própria família. O documentário é uma possibilidade de rever esses primeiros filmes da Cinédia", explica Betse. Além de ter acompanhado toda a trajetória do estúdio, Alice deu continuidade ao trabalho do pai, tanto mantendo a empresa, quanto cuidando dos arquivos e da memória da Cinédia. Não por acaso, Alice Gonzaga se tornou um símbolo da preservação do cinema nacional.

O filme abriu o precioso arquivo do estúdio junto com Alice Gonzaga – que se declara a arquivista mais antiga do país - e revela as histórias da família e suas apostas cinematográficas. E ainda, mostra seu trabalho na restauração de obras clássicas nacionais.


Texto: Dominique Valansi e Bruna Velon

Foto: Bruna Velon



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