Por: Dominique Valansi

Quem já conhece a obra o multitalentoso músico _ e por que não, pensador _ Frank Zappa vai admira-lo ainda mais ao assistir ao documentário “Eat that Question – Frank Zappa in his own words”, de Thorsten Schütte. Para quem ainda desconhece, o filme da mostra Midnight Docs do Festival do Rio 2016 é uma oportunidade para mergulhar em uma das lendas do rock, cuja trajetória se desdobra também no jazz, fusion, música clássica, concreta e eletrônica, e no ativismo contra a censura no indústria da música.

Presente na sessão de gala que aconteceu na noite de 11 de outubro, no Cinema Odeon, o diretor alemão falou para uma platéia calorosa sobre todo seu trabalho de oito anos para produzir o documentário, que fez parte da seleção oficial do Sundance Film Festival 2016.

“Cresci como um grande fã de Frank Zappa e estou muito feliz de ver na plateia pessoas de diferentes faixas etárias. Para mim ele é um dos mais significantes compositores do século XX e tem sido subestimado, negligenciado e em alguns pontos tem sido mal interpretado por diferentes rótulos e clichês. Então através do material de arquivo que compõem este documentário, queremos reapresentar este grande artista para o mundo”, explicou.

O filme demorou tanto para ser feito porque o contato com a família Zappa foi muito difícil. “Durante dois anos, bati na porta de Gail Zappa, a viúva do músico, sem sucesso. Provavelmente ela achou que eu era mais um fã chato. Então, através de toda uma movimentação de advogados para mostrar de que se tratava de um projeto sério, finalmente conseguiu falar com ela. Aí pegamos o avião e a encontramos para explicar o que queríamos fazer. Depois, foram quatro anos de negociação, até assinar o contrato. Aí levou mais dois anos de pesquisa para achar os materiais que compõem o filme. Felizmente conseguimos apresentar o filme para a Gail pouco tempo antes dela falecer. Foi um momento muito emocionante para a família ver o filme pronto”, contou.

Se na pré-produção os parentes de Zappa foram fundamentais, no filme a vida pessoal do músico nem é citada. O foco são depoimentos guardados por fãs de todo o mundo em aparições na televisão, shows, ou gravações caseiras de ensaios ou de seu estúdio em casa. Por diversas vezes, Zappa é sabatinado por jornalistas dos mais diferentes estilos de programas na tevê. Não por acaso, o título do documentário pode ser traduzido como “engula essa questão”. E como diz Zappa no filme, “As grandes entrevistas são as coisas mais anormais que você pode fazer com alguém”.

No fim dos créditos, uma surpresa para os fãs, um pequeno vídeo em que Zappa convoca os jovens: “Você tem 18 anos! Tire a colher do seu nariz, tire a agulha do seu braço, tire a cerveja da sua boca e vá votar. Você entende o que eu estou dizendo? Vote. Registre-se e vote como um animal”. E fim.




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