A última exibição do documentário “Sociedade do Almoço Grátis”, do norte-americano Christian Tod, no Festival do Rio foi acompanhado por um rico debate no Instituto Moreira Salles com as presenças do ex-senador Eduardo Suplicy e do professor da Universidade Federal Fluminense, Fábio D. Waltenberg.

O debate girou em torno da temática do filme, que aborda os projetos e articulações em vários países para a implementação da renda básica para todos os cidadãos - independente de classe social ou renda.  O documentário relata experiências como a do estado do Alasca nos EUA, onde a renda básica foi implementada como forma de distribuir os lucros vindos da exploração da indústria petrolífera, e foi um exemplo bastante citado pelos debatedores.

O professor Fábio Waltenberg abriu o debate apontando a difusão dos conceitos da renda básica em alguns países ricos da Europa e nos EUA, afirmando que “o amadurecimento e aceitação da ideia irá se desenvolver com o tempo”. O professor também se preocupou em distinguir a diferença deste tipo de programa com projetos como o Bolsa Família, argumentando que “quando o estado cria programas direcionados somente às pessoas mais pobres gera um preconceito e a reação das classes que não são pobres. No caso dos programas de renda básica todos são contemplados e essa distinção acaba”. Fábio ainda complementa que “o processo de seleção para programas destinados a pessoas de baixa renda gera toda uma burocracia e uma intromissão do estado nas informações sobre os ganhos nas vidas das família. Já com o renda básica essas informações se tornam desnecessárias, já que é para todos os cidadãos residentes no país”.

Após a fala de Fábio D. Waltenberg foi a vez do ex-senador Eduardo Suplicy fazer a sua explanação sobre os fundamentos da garantia de renda básica a cada cidadão. Relembrando os seus tempos de professor universitário, Suplicy deu uma aula à plateia de vários exemplos históricos e até bíblicos em que a questão da garantia mínima de renda aparecem. Suplicy surpreendeu a todos ao informar que o Brasil havia sido o primeiro país do mundo a aprovar em seu parlamento a garantia de renda básica, afirmando que “cabe à população cobrar do próximo presidente legitimamente eleito a sanção da lei”. E afirmou ainda que “o processo de contemplação da renda básica é mais simples do que os de auxílio aos mais pobres” e que “é economicamente viável se forem feitos alguns ajustes na lei tributária”.  

Ao fim do debate, Eduardo Suplicy chamou para o palco a mediadora do debate, Susana Rodrigues, para acompanhá-lo na canção Blowin in the Wind, de Bob Dylan. Ambos cantaram e encantaram a plateia. 


Texto: Fernando Flack



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