O diretor Ryan White

Por Sara Stopazzolli

Freda Kelly, a fã que virou secretária dos Beatles, procurou o jovem documentarista americano Ryan White disposta a tornar pública uma história oculta há 40 anos. Entre 1962 a 1973, Freda fez parte do círculo interno e dedicou sua vida aos Beatles. Chegou inclusive a responder às cartas dos fãs com mechas de cabelos dos integrantes da banda que ela recolhia quando o grupo ia ao barbeiro. Ryan White está no festival do Rio para apresentar Nossa querida Freda – a secretária dos Beatles na sessão de hoje, às 19 horas, no Estação Rio 1. Segundo ele, o filme é a última peça que faltava para revelar a história do quarteto de Liverpool. Ryan White admite que é um garoto de sorte. Primeiro por ter sido eleito para realizar esse filme. E depois, por vir ao Rio de Janeiro exibir a façanha. 

Por que Freda escolheu você para contar sua história?

Freda teve muitas oportunidades nos últimos 40 anos de vir a público, mas recebia convites de pessoas que ela não conhecia e sentia-se insegura sobre como a história seria conduzida. Era importante para ela que fosse alguém de confiança e que ela tivesse controle sobre o material produzido. Conheço Freda desde pequeno, ela é muito amiga do meu tio. Inclusive eu entrevisto meu tio no filme. Eu cresci em volta dessa geração que viveu a cena musical de Liverpool nos anos 1960. Ela era tão reservada sobre isso que, até me procurar, nem eu sabia que ela tinha sido a secretária dos Beatles.

O documentário não é sobre os Beatles e também não é sobre a vida de uma secretária. Como você define o tema do filme?

É a historia de uma garota entre seus 17 e 27 anos.  De uma fã que virou secretária. É uma historia de lealdade, honestidade, integridade. Fala de devoção e porque as pessoas fazem isso. Freda era devota aos Beatles. E continuou sendo mesmo depois de largar seu posto de secretária. Ela nunca revelou nada sobre o que viveu com eles, nunca escreveu um livro, nunca “vendeu as memórias”. E o filme acaba sendo a última “true story” sobre os Beatles porque ela era a única que vivia naquele círculo que não tinha vindo a público ainda.

É sua primeira vez no Rio?

É a segunda vez. Rodei uma parte do meu primeiro filme, Pelada, sobre futebol amador , no Rio. Filmamos em 25 países. Fiquei dois meses no Brasil e conheci diversas cidades.  Mas só trabalhando. Agora é a primeira vez que posso aproveitar um pouco. Pena que só fico três dias porque estou no meio das filmagens do meu próximo longa, um documentário que acompanha uma longa batalha judicial de um casamento gay proibido na Califórnia em 2008. Espero voltar para o Festival do Rio no próximo ano com esse filme.



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