Fortes candidatos à categoria de cult, filmes B, ou de contracultura, os filmes da tradicional mostra Midnight Movies são sempre surpreendentes! Este ano, são 18 longas-metragens de 15 países: Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil, Chile, Chipre, Estados Unidos, França, Grécia, México, Reino Unido, Romênia, Rússia, Suíça e Sri Lanka.

Por mais insólitas que sejam as tramas, muitas delas são verídicas ou baseadas em fatos reais! É o caso de “Três estranhos idênticos”, do diretor Tim Wardle, que conta a história de trigêmeos que só aos 19 anos descobriram que foram separados no nascimento como parte de um experimento científico sobre o comportamento humano. Ou “Profile”, de Timur Bekmambetov, em que uma jornalista se passa por uma muçulmana convertida radicalizada e se envolve com um recrutador profissional do Estado Islâmico. Já “The Cleaners”, de Hans Block, fala de uma indústria fantasma no terceiro mundo, onde um "limpador" deve vigiar, classificar e apagar diariamente milhares de imagens, fotos e vídeos perturbadores da Internet.

A música está presente em “Matangi / Maya / M.I.A.”, de Stephen Loveridge, que conta as origens da filha de um dos fundadores da resistência armada do Sri Lanka, que foge para o Reino Unido com sua família, e posteriormente surge no cenário musical como a potente M.I.A. O documentário foi vencedor do prêmio especial do júri no Sundance Film Festival 2018. Único filme brasileiro da seleção, “Amazônia Groove”, de Bruno Murtinho, cruza a Amazônia paraense, revelando criadores e tradições musicais que pulsam numa região pouco conhecida. A mostra também exibe a cópia restaurada de “Imagine”, clássico de John Lennon e Yoko Ono.

Outra cópia restaurada é “Buddies” (1985), de Arthur J. Bressan Jr., primeiro filme produzido sobre a AIDS. A temática LGBTQ também está presente em “Game girls”, de Alina Skrzeszewska; “As filhas do fogo”, de Albertina Carri; “Selvagem”, de Camille Vidal-Naquet, “Faca no coração”, de Yann Gonzalez, com Vanessa Paradis; e “Obscuro barroco”, de Evangelia Kranioti, que tem como fio condutor a travesti Luana Muniz.

Outro destaque é "A geração da riqueza", de Lauren Greenfield, que traz um retrato de uma cultura materialista e narcisista, a partir do ensaio visual homônimo da artista e diretora. Completam a mostra filmes de guerra, monstros, política e até futebol! Conheça os longas-metragens selecionados.


Matangi / Maya / M.I.A., de Stephen Loveridge
Filha do fundador da resistência armada do Sri Lanka, Matangi se escondeu do governo em face de uma guerra civil sangrenta. Quando sua família fugiu para o Reino Unido, ela se tornou Maya, uma adolescente imigrante criativa. Finalmente, o mundo a conheceu como M.I.A. quando ela emergiu no cenário musical. Através de entrevistas e um acervo de imagens pessoais inédito, este documentário traça um retrato íntimo e inédito da artista.

A geração da riqueza
(Generation wealth), de Lauren Greenfield
Nos últimos vinte e cinco anos, a aclamada fotógrafa e cineasta Lauren Greenfield (A Rainha de Versailles, Thin, kids+money, #likeagirl) viajou pelo mundo documentando com precisão e sensibilidade uma vasta gama de movimentos e momentos culturais. No entanto, depois de tanto procurar e pesquisar, ela percebeu que muito de seu trabalho apontava para um fenômeno único: a cultura da riqueza. Com este novo documentário, ela monta o quebra-cabeça do seu projeto de vida, em uma investigação incendiária sobre as patologias que criaram a sociedade mais rica que o mundo já viu.


Três estranhos idênticos (Three identical strangers), de Tim Wardle
Em 1980, Robert Shafran e Edward Galland, de 19 anos – descobriram que eram gêmeos idênticos, separados no nascimento e criados por famílias diferentes. Quando a história saiu no New York Post, David Kellman, se deu conta que era o terceiro irmão gêmeo do grupo. Apesar do reencontro feliz, a descoberta revelou um extraordinário e perturbador segredo: eles foram propositalmente separados como parte de um experimento científico sobre o comportamento humano. O filme fez parte da seleção de Sundance 2018.

Game girls (Game girls), de Alina Skrzeszewska
Teri e sua namorada, Tiahna, levam seu relacionamento pelos caminhos caóticos de Skid Row, Los Angeles, a "capital dos sem-teto dos EUA". Enquanto Tiahna está confortável vivendo neste submundo econômico, Teri é tomada por um forte desejo de cair fora. Juntas a outras mulheres da vizinhança, elas frequentam um workshop semanal de arte expressiva, onde refletem, sonham e cicatrizam suas feridas. Será que o amor entre elas sobreviverá à violência de seu passado e do lugar aonde vivem? Parte da Mostra Panorama, do Festival de Berlim 2018.

Profile, de Timur Bekmambetov
Ao investigar as técnicas de recrutamento online do Estado Islâmico, usadas para atrair jovens europeias para a Síria como noivas da Jihad, Amy Whittaker, uma jornalista freelancer de Londres, cria no Facebook um perfil falso de uma muçulmana convertida radicalizada. Quando um recrutador profissional entra em contato, ela se depara com uma oportunidade única. Mas Amy se coloca em perigo quando a fronteira entre seu perfil real e seu perfil falso se dissolve. Baseado no best-seller “Na pele de uma Jihadista", da jornalista francesa Anna Erelle”.

A Valsa de Waldheim (The Waldheim waltz), de Ruth Beckermann
"Waldheim, não! Waldheim, não!", grita a multidão no centro de Viena, em 1986. Ruth Beckermann era uma das ativistas que tentavam impedir a eleição de Kurt Waldheim e documentou os eventos políticos com sua câmera. Mais de 30 anos depois, ela revisita seus arquivos e usa materiais adicionais para analisar esse momento decisivo na cultura política da Áustria. O resultado é a exposição da teia em que o ex-secretário-geral da ONU se envolveu ao esconder dois anos de sua biografia nos tempos de guerra. Exibido no Festival de Berlim 2018.


Futebol Infinito (Infinite Football), de Corneliu Porumboiu
Para Lauren iu Ginghin , o futebol precisa mudar, se libertar de suas amarras; cantos têm que se arredondados, zonas designadas para jogadores, regras revisadas. Em retrospecto, ele entendeu que as regras estavam erradas quando fraturou a fíbula em um jogo ainda novo. Agora um burocrata, prefere conversar com Porumboiu, seu amigo e cineasta. Todos os caminhos levam ao futebol, mas também para longe dele - para posse de terra, fazendas de laranja na Flórida, utopia política e os vestígios deixados pela vida - até o infinito. Parte do Festival de Berlim 2018.

As filhas do fogo (The daughters of fire), de Albertina Carri
Bem no fim do mundo, três mulheres se encontram, começando uma jornada poliamorosa que irá transformar suas vidas. Uma viagem ao longo de estradas e através do tempo que se transforma em pura alegria, rios de prazer e diversão. Elas lentamente exploram uma paixão irreversível e a utopia do amor monogâmico, longe dos sentimentos de posse e de dor, como o fim inevitável de um amor que não se encaixa em lei alguma. Através de suas anotações, Violeta nos conta sobre as aventuras das Filhas do Fogo: um grupo de mulheres em busca de suas próprias descobertas eróticas.


Selvagem, de Camille Vidal-Naquet
Leo tem 22 anos e vende seu corpo nas ruas em troca de algum dinheiro. Homens chegam e vão, ele continua no mesmo lugar. Em busca de amor, mas, ao mesmo tempo, sem poder imaginar o que o futuro vai trazer, ele enfrenta as ruas com o coração batendo forte. Exibido na Semana da Crítica em Cannes 2018, o filme rendeu ao ator Félix Maritaud o primeiro prêmio de ator revelação concedido pela Louis Roederer Foundation.


Faca no coração (Knife + heart), de Yann Gonzalez
Paris, verão de 1979. Anne produz filmes pornôs gays de segunda categoria. Depois de ser abandonada por Lois, sua montadora e amante, ela tenta reconquista-la filmando sua produção mais ambiciosa - ao lado de seu ardente parceiro Archibald. Mas um de seus atores é assassinado e Anne se vê tomada por uma estranha investigação que irá colocar sua vida de cabeça para baixo. Com Vanessa Paradis, o filme foi selecionado para a Competição Oficial do Festival de Cannes 2018. 


Morra, monstro, morra (Murder Me, Monster), de Alejandro Fadel
Cruz, um policial rural, investiga o bizarro caso do cadáver de uma mulher sem cabeça encontrado em uma região remota das Montanhas dos Andes. David, marido da amante de Cruz, Francisca, surge como o principal suspeito e é logo enviado para um hospital psiquiátrico. Ele jura que a culpa do crime é da aparição inexplicável e brutal de um "Monstro". Cruz acaba desencavando uma misteriosa teoria que envolve geometria rural, motociclistas de montanha e um mantra, que não sai da sua cabeça: Mate-me, Monstro. Exibido na mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes 2018.

Amazônia Groove, de Bruno Murtinho
Cruzando a Amazônia paraense, o filme revela criadores e tradições musicais que pulsam numa região pouco conhecida dos próprios brasileiros. Através dos artistas, de suas vidas extraordinárias e da intangível força da região, fruto de antigas culturas, emena uma sonoridade única. O filme dá voz a uma parte fundamental do planeta, atraindo os olhares para uma quase desconhecida tradição musical.


Operação Overlord (Overlord), de Julius Avery
Com apenas algumas horas até o Dia D, uma equipe de paraquedistas americanos invadiu a França ocupada pelos nazistas para realizar uma missão crucial. Com a tarefa de destruir um transmissor de rádio no alto de uma igreja fortificada, os soldados desesperados juntam forças com um jovem aldeão francês para penetrar nas muralhas e derrubar a torre. Mas, em um misterioso laboratório nazista sob a igreja, alguns soldados estão frente a frente com inimigos nunca antes vistos. Do mesmo produtor da aclamada série Lost e dos últimos filmes da franquia Star Wars.

Imagine, de John Lennon e Yoko Ono
Uma filmagem surrealista, que mistura ficção e vida real, de um dia na vida de John Lennon e Yoko Ono, composto a partir de canções do histórico álbum Imagine, de John, e do álbum Fly, de Yoko. Uma colagem cinematográfica de cores, sons, sonhos e realidade, o filme foi produzido e dirigido por John e Yoko, que, ao lado de numerosas estrelas, como George Harrison, Fred Astaire, Andy Warhol, Dick Cavett, Jack Palance e Jonas Mekas, criaram um mundo de imaginação tão rico e comovente quanto a música que o acompanha. Relançamento em cópia restaurada.

Buddies, de Arthur J. Bressan Jr.
Quando David, um yuppie gay de 25 anos, se voluntaria a ser um "buddy" para pacientes com AIDS, ele conhece Robert, 32 anos, um jardineiro californiano de verve altamente politizada, que foi abandonado pelos amigos e pela família. Passado quase todo em torno do quarto de hospital, o filme é centrado nos dois personagens. Um retrato atemporal de uma era da história LGBTQ, este foi o primeiro filme produzido sobre a AIDS, e é apresentado em cópia restaurada.


The Cleaners, de Hans Block e Moritz Riesewieck
Conheça uma indústria fantasma no terceiro mundo dedicada à limpeza digital, onde a Internet se livra daquilo que não gosta. Um "limpador" típico tem que vigiar e classificar diariamente milhares de imagens, fotos e vídeos, muitas delas perturbadoras, causando duradouro impacto psicológico. No entanto, surgem nesse trabalho questões mais profundas sobre o que faz de uma imagem arte ou propaganda e o que é que define o jornalismo. Encontramos aqui cinco "desbravadores digitais" entre os milhares contratados pelo Vale do Silício, cujo trabalho é apagar o conteúdo "inapropriado" da rede.

Obscuro barroco, de Evangelia Kranioti
Esta é uma mistura de documentário e ficção sobre os inebriantes clímaxes do gênero e da metamorfose. É também uma homenagem cinematográfica a uma terra de extremos: a cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Seguindo os caminhos de Luana Muniz (1961-2017), figura icônica do transgênero, o filme explora diferentes buscas por autoconhecimento através do travestismo, do carnaval e da luta política. Em troca, propões questões sobre o desejo de transformação do corpo, tanto íntimo quanto social. Exibido na mostra Panorama do Festival de Berlim 2018.

Alterscape, de Serge Levin
Depois de uma fracassada tentativa de suicídio, um jovem que enfrenta a perda e a depressão se submete a uma série de testes que afinam as emoções humanas, mas sua reação única aos testes o leva a uma jornada que transcende a realidade física e a percebida.



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