Já não é de hoje que a história do cinema é tema dos próprios filmes. Por isso, o Festival do Rio abriga, já há alguns anos, a mostra Filme Doc, dedicada a documentários que revelam bastidores e personalidades do mundo da sétima arte. Confira a seguir os oito longas que compõem a seleção desse ano.

Michael Haneke - Profissão: diretor, de Yves Montmayeur

Começando por seu mais recente sucesso, Amor, o filme traça um panorama completo da carreira do cineasta austríaco Michael Haneke, de seus primeiros trabalhos conceituais a obras polêmicas como as duas versões de Violência gratuita e Caché. Pretende-se fazer uma análise e apreciação do conjunto de sua obra. O diretor Yves Montmayeur, seu amigo de longa data, elabora montagens de cenas, revela bastidores de filmagem e entrevista os atores. Busca assim dimensionar a intensidade criativa e moral do cineasta e responder a perguntas do tipo “como o Mal se aninha numa sociedade civilizada?”.

Milius, de Joey Figueroa e Zak Knutson

Vida e obra de John Milius que, mesmo no auge da carreira, foi um peixe fora d’água em Hollywood. Ele é reconhecido pelos roteiros de clássicos como Apocalypse Now e por dirigir filmes de intensa ação física, como Conan, o bárbaro e Amanhecer violento. Sua passagem pelo exército foi decisiva para conceber uma filmografia militarizada. Às crenças radicais soma-se um comportamento controverso. Com depoimentos de, entre outros, Steven Spielberg, George Lucas, Arnold Schwarzenegger, Francis Ford Coppola, Harrison Ford, Oliver Stone e Charlie Sheen. Seleção oficial do festival South By Southwest.

Contadores de imagens, de Noelle Deschamps

A criação artística é sempre vista como um processo misterioso. Esse filme acompanha as jornadas de trabalho de 11 cineastas e roteiristas, trazendo à luz sua imaginação, suas paixões e a magia do processo criativo de cada um – entre eles, o mexicano Guillermo Arriaga, os franceses Jacques Audiard e Michel Gondry, o inglês John Boorman e o sérvio Emir Kusturica. São jornadas poéticas que buscam sua inspiração no estilo de cada um. Em comum, cada um dos entrevistados tenta levar o cinema de arte ao maior número possível de espectadores. Seleção do Festival de Veneza.

Invadindo Bergman, de Jane Magnusson e Hynek Pallas

A isolada residência de Ingmar Bergman na ilha Farö, no mar Báltico, desfruta de um status mítico junto a muitos cineastas. Alguns a chamam de Meca, outros temem a longa e estreita casa próxima à praia Persona. Aqui, diretores e atores de reconhecimento mundial, entre eles Alejandro González Iñárritu, Claire Denis e Michael Haneke, perambulam pela ilha, visitam a casa de Bergman e versam sobre a relação de cada um tanto com o genial e endemoniado diretor quanto com seus principais filmes. Mostram-se cenas inéditas de bastidores com o mestre sueco. Exibido no Festival de Veneza.

Seduzido e abandonado - Os bastidores de Cannes, de James Toback

O diretor James Toback e o astro Alec Baldwin passeiam pelos bastidores do Festival de Cannes em busca de encontros e eventos em que possam conversar com diretores, produtores e atores, e assim convencê-los a participar do financiamento do próximo projeto da dupla. Tendo como cenário o festival mais glamoroso do planeta, revela-se como muitos profissionais têm uma relação desconfortável com a indústria do cinema. A dupla conversa com, entre outros, os cineastas Martin Scorsese, Bernardo Bertolucci e Roman Polanski, e com os atores Ryan Gosling e Jessica Chastain. Exibido no Festival de Cannes.

Jean-Claude Carrière, 250 metros, de Juan Carlos Rulfo e Natalia Gil

Como cobrir os 81 anos da trajetória de um homem que pertence à elite cinematográfica, como é o caso de Jean-Claude Carrière? Este documentário aceita o desafio de desvendar o pensamento do responsável pelos roteiros de O discreto charme da burguesia, A bela da tarde, O tambor e Brincando nos campos do Senhor, entre outros. Os diretores acompanham Carrière em suas viagens pelo México, Paris e Nova York, nas quais compartilha suas reflexões sobre a figura do contador de histórias. Um testamento da vida e da obra de um homem fundamental para o cinema moderno.

Uma história de crianças e cinema, de Mark Cousins

Montagem de inúmeras cenas que retrataram crianças ao longo da história do cinema mundial, selecionadas de forma pessoal e lúdica pelo crítico de cinema que se tornou diretor, Mark Cousins. A seleção é feita de obras-primas como O garoto, de Charles Chaplin, e E.T. – O extraterrestre, de Steven Spielberg, passando por títulos como O balão vermelho, de Albert Lamorisse, e Os esquecidos, de Luis Buñuel – e inclui ainda vários títulos pouco conhecidos. Um retrato apaixonado das aventuras da infância, visto através de 53 grandes filmes provenientes de 25 países. Exibido na seção Cannes Classics do festival francês, é dirigido pelo autor de A história do cinema: Uma odisseia (2011), exibido no Festival do Rio.

Casting By - Diretor de elenco, de Tom Donahue

Apresenta-se o trabalho dos diretores de elenco (casting directors), tão desconhecido quanto indispensável no processo de produção de um filme. Eles são iconoclastas cujo olhar arguto, gosto peculiar e intuição ajudaram a redefinir Hollywood. Destaca-se a importância da veterana Marion Dougherty na valorização desta profissão a partir dos anos 1960. Foram entrevistadas 240 pessoas, mas apenas 57 depoimentos sobreviveram ao corte final – entre estes, os de astros e estrelas como Robert de Niro, John Travolta, Diane Lane, Al Pacino, Woody Allen e Clint Eastwood. Exibido no Festival de Toronto.



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