Nove filmes já confirmados no Festival do Rio 2016 podem participar da festa do Oscar. Tudo depende da seleção final de candidatos à estatueta de melhor filme estrangeiro em 2017. Os nove filmes já passaram pela primeira grande peneira: todos foram indicados por seus países para concorrer a uma vaga entre os cinco finalistas. E até o fim do Festival do Rio, pode ser que outros filmes ganhem indicações de seu países para participar da disputa.

O primeiro da lista é o representante brasileiro para concorrer à seleção final: Pequeno Segredo, de David Schurman, que venceu outros 15 filmes e foi escolhido por uma comissão do MinC para disputar uma vaga entre os finalistas ao Oscar 2017. O filme trata de um episódio real, ocorrido com a família Schurman, conhecida por longas viagens de veleiro, tendo feito duas vezes a circunavegação da Terra. O elenco tem Julia Lemmertz, Maria Flor, Marcelo Antonny.

O filme brasileiro terá fortes competidores pelas cinco vagas para a festa de Hollywood. A lista de possíveis concorrentes ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira (ou seja, que não seja falado em inglês) tem dois títulos premiados no Festival de Cannes 2016. Um deles é produção franco-canadense Apenas O Fim do Mundo (Juste La Fim Du Monde), que traz a assinatura de Xavier Dolan e ganhou o Grande Prêmio do Juri e o Ecumenical Jury Prize em Cannes este ano. Trata-se de um drama familiar que foi escolhido como representante do Canadá e tem um elenco de estrelas internacionais: Marion Cotillard, Vincent Cassel, Lea Seydoux, Gaspard Uliel e Natalie Baye. O diretor canadense é um dos diretores mais festejados de Cannes, tendo dividido um prêmio com Jean-Luc Godard, em 2014. O filme Mummy, de Dolan, foi um dos grandes destaques de crítica no ano passado e mais uma vez o jovem cineasta correspondeu à forte expectativa em torno de seu cinema, sempre com tramas de alta voltagem emocional.

O outro premiado em Cannes é o representante alemão, Toni Erdmann, dirigido por Maren Ade. O filme ganhou o Prêmio Fipresci 2016, dado pela Federação Internacional de Críticos de Cinema. E o enredo é também um drama familiar, que trata da complicada relação entre uma jovem adulta que recebe a visita do pai, com quem ela não se encontra há muito tempo. O filme de Maren Ade recebeu muitos elogios em Cannes e foi indicado para concorrer à Palma de Ouro.

O grande vencedor do Festival de Cannes 2016, porém, ainda é dúvida na festa do Oscar. O filme é falado em inglês, o que o impede de concorrer na categoria de filmes estrangeiros. Trata-se de Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake), que rendeu a segunda Palma de Ouro ao director inglês Ken Loach, autor de um cinema altamente político. Loach já foi chamado de "o mais marxista dos cineastas europeus". Ele ganhou sua primeira Palma de Ouro em Cannes com o filme The Wind That Shakes The Barley (sobre a guerra da independência da Irlanda). Mas, apesar de estar longe agora da disputa pela estatueta de filme estrangeiro,  Loach não desistiu de conquistar uma vaga para a festa do Oscar. Os produtores e distribuidores do filme irlandês já conseguiram uma data de estreia próxima ao Natal, o que pode fazer com que o filme de Ken Loach seja indicado nas categorias de melhor ator, melhor atriz ou mesmo melhor filme, concorrendo neste caso com produções americanas.

E desta vez o representante britânico está disputando um lugar entre os concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Isto porque o filme escolhido pela comissão do Bafta (a versão britânica do Oscar) não é falado em inglês. Trata-se da produção anglo-iraniana Sob as Sombras (Under The Shadow), dirigida por Babak Anvari. Apesar do título, o filme é falado em farsi.

Além dos premiados em Cannes, há também representantes de outros países para concorrer às cinco vagas do Oscar na programação do Festival do Rio 2016.

O romeno Sieranevada, dirigido por Cristi Puiu, por exemplo, conta a história de um almoço em família, interrompido por uma grande discussão, que começa com desavenças sobre os ataques do 11 de setembro ao World Trade Center e termina por levantar velhas feridas.

O Oriente Médio tem concorrentes à lista final. O primeiro é o libanês Um Grande Plano (Very Big Shot), dirigido por Mir-Jean Bou Chaaya, que tem por tema o tráfico internacional de drogas. O outro vem da Arábia Saudita: Barakah Meets Barakah, dirigido por Mahmoud Sabbagh, que conta uma história de amor e as dificuldades de um jovem casal por conta de questionamentos aos costumes do país muçulmano. O filme ganhou o Prize of the Ecumenical Jury no festival de Veneza 2016. Há também o representante da Tunísia, Assim que Abro os Olhos (As I Open My Eyes), dirigido por Leyla Bouzid, que fala sobre as delicadas relações entre mãe e filha, quando a filha decide tornar-se cantora.

Da lista de possíveis competidores do Oscar consta ainda o russo Paraíso (Paradise), que traz a assinatura de um dos mais renomados diretores russos da atualidade, Andrei Konchalovsky. Colaborador frequente e discípulo de Andrei Tarkovski,  um dos mestres do cinema russo, Konchalovsky já venceu o Urso de Prata em Berlim, com House of Fools, em 2003 e teve uma longa carreira em Hollywood, tendo dirigido vários filmes no mercado americano, além de series de TV. Paradise, que rendeu a Konchalovsky o prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza 2016, tem um tema delicado: os efeitos da  perseguição aos judeus russos na Europa ocupada pelo nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O filme russo é mais uma das grandes atrações internacionais da mostra Panorama 2016.


Saiba mais sobre os filmes:

É apenas o fim do mundo (Juste la fin du monde), direção Xavier Dolan

Após 12 anos distante, um escritor retorna à sua cidade natal para contar à família sobre sua morte iminente. Mas o ressentimento logo altera seus planos para aquela tarde, dando lugar a rixas que alimentaram e ainda alimentam solidão e dúvidas, enquanto todas as suas tentativas de empatia são sabotadas pela incapacidade das pessoas em ouvir e amar. Nesse seu novo filme Xavier Dolan adapta para o cinema a peça homônima de Jean-Luc Lagarce. O filme ganhou o Grande Prêmio do Juri do Festival de Cannes 2016.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/juste-la-fin-du-monde


Toni Erdmann (Toni Erdmann) direção de Maren Ade

Winfried, um professor de música de meia-idade, decide fazer uma visita surpresa a sua filha, a organizada Ines. Seu plano é simples e parece infalível: se reconectar com com ela através do seu valioso arsenal de piadas excêntricas. Para isso, ele se transforma em Toni Erdmann, um personagem bizarro. Ines, por sua vez, se desespera ao ver sua vida perfeitamente organizada abalada por um imprevisto desta proporção. Quando seu pai audaciosamente lhe pergunta "você está feliz?", ela se vê sem resposta, dando ínicio a uma mudança profunda. Prêmio FIPRESCI em Cannes 2016.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/toni-erdmann


Pequeno Segredo, direção David Schurman

Um filme com histórias interligadas e conectadas por um único segredo que irá revelar as trágicas e belas vidas de três famílias e como esperança, sonhos e destino são capazes de unir pessoas de diferentes partes do mundo. Baseado na história real que inspirou o best-seller homônimo.​

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/pequeno-segredo


Paraíso (Paradise). Direção de Andrei Konchalovski

Olga, imigrante da aristocracia russa e membro da Resistência Francesa, é presa pela polícia nazista por esconder crianças judias. Na prisão, ela conhece Jules, um oficial que está encarregado de seu caso, e que promete libertá-la em troca de favores sexuais. Ela concorda, mas vê seu plano ruir quando é transferida para um campo de concentração. Para sua surpresa, ela cruza o caminho de Helmut, um oficial de alta patente da SS alemã que é perdidamente apaixonado por ela desde quando ainda eram jovens - e até hoje mantém seus sentimentos. Leão de Prata de melhor direção Veneza 2016.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/rai


Sob as Sombras (Under the Shadows), direção de Babak Anvari

Teerã, 1988. Shideh vive em meio ao caos da Guerra Irã-Iraque. Depois de ter sido acusada de comportamento subversivo, ela foi expulsa da faculdade de medicina e precisa cuidar sozinha da filha Dorsa enquanto seu marido luta na guerra. Um míssil atinge o prédio onde elas moram, mas não explode. Pouco depois, Dorsa fica muito doente e começa a apresentar um comportamento perturbador. Buscando por respostas, Shideh descobre que o míssil pode ter trazido consigo Djinn, um espírito maligno que viaja com o vento, uma força sobrenatural que estaria tentando se apossar de Dorsa. Sundance 2016.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/under-the-shadow


Um Grande Plano (Very Big Shot), direção de Mir-Jean Bou Chaaya

Jad está prestes a deixar a prisão após ter sido preso por um crime cometido por seu irmão cinco anos atrás. Desde então, Ziad, o irmão, deixou para trás seus negócios relacionados ao tráfico de drogas para começar um novo capítulo em sua vida. No entanto, seus planos são prejudicados por uma mudança inesperada nos acontecimentos e ele se vê envolvido em uma megaoperação de contrabando internacional de anfetamina. Em liberdade, Jad está disposto a participar desta última operação ao lado do irmão antes de abandonar o mundo do narcotráfico, e traça um plano infalível. Toronto 2015.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/film-kteer-kbeer


Barakah com Barakah (Barakah Meets Barakah), direção de Mahmoud Sabbagh

Ele, um funcionário do aeroporto de Jidá, nasceu em uma família humilde, para dizer o mínimo. Ela tem uma beleza selvagem e é filha adotiva de um casal rico ainda abalado pela falta de um filho biológico. Ele também é ator em uma companhia de teatro amador e se prepara para encenar Hamlet. Ela trabalha na elegante boutique de sua mãe adotiva e tem um vlog de sucesso na internet. O destino os une em um ambiente hostil para qualquer namoro. Mas eles são criativos e burlarão a seu modo a patrulha religiosa e tradicional que rege a sociedade saudita. Prêmio do Júri Ecumênico, Berlim 2016.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/barakah-yoqabil-barakah


Assim que Abro os Olhos (As I Open My Eyes), direção de Leyla Bouzid

Túnis, verão de 2010, poucos meses antes da revolução. Farah tem 18 anos e está recém-formada, mas sua família já a vê como uma futura médica. Ela, no entanto, não pensa da mesma forma e tem como atividade preferida cantar em uma banda de rock engajada, com músicas que abordam temas políticos. Seu único plano no momento é aproveitar a vida intensamente, beber, descobrir amores e sua própria cidade durante a noite. Tudo isso contra a vontade de sua mãe Hayet, uma mulher que conhece muito bem a Tunísia e os seus perigos. Melhor filme no Venice Days, Festival de Veneza 2015.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/a-peine-j-ouvre-les-yeux


Sieranevada (Sieranevada), direção de Cristi Puiu

Três dias após o ataque terrorista à redação do semanário Charlie Hebdo e 40 dias após a morte de seu pai, Larry, um médico quarentão, se prepara para passar o sábado em família como homenagem ao falecido. A ocasião, no entanto, não acontece de acordo com suas expectativas. Forçado a confrontar seus medos e seu passado, ele terá que repensar o lugar que ocupa no seio de sua família ao encontrar pouco espaço para contar a sua versão da verdade. Do diretor romeno Cristi Puiu, o mesmo de A morte do Sr. Lazarescu. Festival de Cannes 2016.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/sieranevada


Eu, Daniel Blake (I, Daniel Blake), direção de Ken Loach

Daniel Blake, 59 anos, trabalhou como marceneiro durante a maior parte de sua vida em Newcastle, Reino Unido. Agora, depois de um ataque cardíaco que quase o fez despencar de um andaime, ele precisa da ajuda do Estado pela primeira vez em sua vida. Em sua jornada burocrática, ele cruza o caminho de Katie e seus dois filhos. Para ela, só ha duas opções: viver em um abrigo para sem-tetos ou mudar-se para uma cidade a cerca de 500 quilômetros de Londres. Um retrato fiel da Grã-Bretanha moderna. Do mestre do cinema inglês Ken Loach. Palma de Ouro no Festival de Cannes 2016.

http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/i-daniel-blake













Voltar